Muffin do esquecimento


Hoje, dia 14 de janeiro de 2014, foi a primeira vez que comi muffin desde que estive na Finlândia, em março de 2013. Quase um ano sem provar essas maravilhosas criações do forno. Percebi isso quando estava no mercado, procurando algo para comer na hora do almoço – lembranças muito profundas me encharcaram nesse momento.

Hoje, como em algum dia de março/13, eu estava novamente passeando por um mercado a procura de iogurte e muffin, até os cheiros me pareceram ser iguais ao do círculo polar ártico (lembrando que março é frio pacas lá e janeiro é quente pacas aqui).

Aquela viagem foi única – em uma semana vivi duas pessoas diferentes, uma mais-que-feliz outra triste. Na verdade três, antes da Feliz veio a Esperançosa.

E o que isso tudo tem haver? Sobre essa deliciosa nostalgia, de tempos (e situações que nunca mais se repetirão) salpicados por aquela viagem à fria Helsinque, me veio a tona bons enxertos para um bom post- eu estava no banheiro escovando os dentes quando essa inspiração veio.

Ao tempo de voltar ao meu PC, tudo se foi, toda história traçada nas profundezas do meu cérebro foi-se, evaneceu-se como pó estelar – ficou apenas a lembrança no meu coração.

Então esse texto é sobre isso. É sobre todos os VÁRIOS temas que são germinados, fazem-se notar, têm algum brilho soturno, fugaz. E só. Somem onde nascem: Eu.

Não passavam de textos tímidos, medrosos de encarar o mundo. Ora, façam como seu autor, míseros textos, encarem-se. Se escrevo frases boas, elas vão. Se escrevo frases ruins, elas vão. Se escrevo frases medíocres, elas também vão. Eu confiava em vocês; talvez fosse VOCÊ, ô tema perdido, que me libertasse, que fizesse meu dedo literário florescer, que me desse orgulho.

Mas por medo vocês me deixaram. E vejam só, nem pelo abandono odeio vocês, ao contrário faço uma singela homenagem, com uma ideia que me é leal da cabeça ao editor de texto.

Infelizmente eu sei que aqueles temas, que por uma fração de segundo me deram grande regozijo, nunca mais voltarão a minha mente, a minha folha, ao meu blog.

Não adianta eu ficar agora me lamuriando, (a/i)molando minha tristeza. Eu, em meu humilde e simplório intelecto, só conheço uma saída para me livrar dessa dor: continuar andando, comendo muffins em novas cidades. Fazendo novas lembranças.

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Siderius Nuncius


Catorze de outubro do ano da Graça de dois mil e nove. Ano Internacional da Astronomia. Há quatrocentos anos, Galileu aponta pela primeira vez um telescópio para os céus (sim, a China…). E eu, hoje, aponto o meu.

Vejo Canopus, linda e soberana (Sírius não estava visível, como?!).

Fácil de ver

de achar e voi-la,

na ocular está

E como todos sabemos, mais universal que a Lei da Gravidade é Lei de Murphy: por uma semana, o céu que antes estava límpido e risonho, fechou-se ao chegar o telescópio. Ok…

Sem dúvidas, não tenho Hubble, mas já posso ver mais que a olho nu.

Feliz 😀