Bilhete Único de Macho Inflacionado


Suponhamos que num sábado de manhã sua mãe peça para você trocar uma peça de roupa que ela comprou mais cedo. Entre o centro comercial e sua casa, são menos de 2km em uns 4 minutos de ônibus. Como há redundância de linhas, posso usar o bilhete único e pagar apenas os R$3,80¹ de uma passagem.

Não há muito o que falar, como esperado fiz tudo dentro do período de 2h30² e nem olhei o relógio, confiava no meu taco que faria tudo rápido, sem interrupções. E fiz 🙂

Como podem ver no screenshot do Swarm, fiz tudo em menos de 10 minutos (incluindo o café, sempre dá tempo para tomar um café, nesse caso foi um moka ice blend delicioso). Como também podem ver, eu só fui a tarde 😉

Screenshot BU macho

Usem transporte público!!

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E uma observação: após efetuar a troca da roupa, a atendente, uma moça bonita diga-se, se vira de um jeito todo-todo, e me pergunta: “você já tem o cartão da Riachuelo??”.

Outra observação: fui e voltei em ônibus de ar condicionado, que nesse varonil calor veranil cai muito bem.

¹ No último texto, de 2010, a passagem era R$2,40!!

² No último texto, de 2010, o período de integração era de 2h.

Perdi alguma coisa


Eu perdi alguma coisa. Não se trata de um brinquedo, de uma vida na fase final de Sonic the Hedgehog ou uma noite de sono para assistir ao [triste] final de Dragon Ball.

Perdi justamente aquilo que me motiva a continuar na busca vã pela cabeça de um brinquedo.

Foi numa tarde, eu estava numa situação qualquer onde eu mesmo esperava agir de forma tal, mas por fim agi doutra maneira. Não que eu tivesse feito uma contravenção, muito menos um crime e/ou pecado, mas algo tinha mudado. Dessa vez eu percebi e imediatamente pus-me a pensar se outrora tinha feito. Sim. Tinha feito.

Mudanças não planejadas. Atitudes diferentes. Duas frases que são mais que o bastante para pôr qualquer leandro em pânico.

E ai? Sei que mudanças são necessárias blah blah blah, sobretudo depois dos tempos na Germânia. Mas essas mudanças sutis de atitude? Não sei se vale o esforço para ao menos tentar identificá-las ou se vou na onda do que eu mesmo me torno. Gosto muito duma frase de Raul, “o homem é o exercício que faz”, vamos me fazendo.

Sim o verbo está conjugado certo, vamos – eu nem ninguém se faz sozinho. Em maior ou menor grau somos todos influenciáveis e direcionados. Por exemplo, o Samurai Jack me influencia muito enquanto Maria de Schwarzburg-Rudolstadt¹ não me influencia quase nada.

Muito eventualmente, é a mudança à fase adulta se consolidando.

Vamos ficando mais velhos, nossa inércia aumenta. Nossos hábitos se reforçam. Perdemos a imortalidade da infância e a esperança da juventude (Time, do Pink Floyd, gera certo incômodo). Aprendemos que não podemos mudar o mundo nem nosso país. O sistema é muito grande, te moldou e te absorveu sem que você notasse.

Vamos nos definindo mais, perdendo coisas inúteis a nosso convívio. Perdemos pessoas, ganhamos pessoas. Acumulamos lembranças, fortalecemos nossos vícios. Vamos levando com a barriga até a natureza consumir tudo. E acima de tudo, ganhamos forças para continuar.

Eu desejo a mim e a vocês, leitores, muito, mas muito daquela coisa.

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¹ Se quiser saber mais, eis ai http://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_de_Schwarzburg-Rudolstadt

 

Pisca-pisca 2015


Um embate que ocorre todo final de ano entre mim e minha mãe é se os pisca-pisca devem ficar acessos a noite toda ou não.

Ela quer deixar a casa enfeitada. Eu penso no gasto energético.

Como eu sempre durmo mais tarde, desligo tudo. Mas esse ano, 2015, foi diferente.

Vi muito menos casas enfeitadas para o Natal, menos pessoas animadas com as festas. Vi (e principalmente senti) muita desanimação, muita previsão ruim, muita tristeza e decepção.

2015 não foi fácil na economia, política e na minha vida pessoal de muita gente. Mas o pior é esse efeito psicológico de manada, onde uma tristeza foi tão bem propagandeada, que cobriu o Brasil com um véu de morte e paramos.

Paramos em tudo! Luto por quem? Não sabemos. Ao que me consta, o Brasil é infinitamente maior que as tragédias pessoais de cada um de nós, é maior que todos os mandos e desmandos da política, é maior que a cotação do dólar.

E ao frigir dos ovos, nossas vidas são maiores e mais dignas do que as reportagens que fingimos entender.

É preciso um pisca-pisca na janela para lembrar ao transeunte que é Natal, que é fim de ano. Lembrar que esse ano pavoroso está acabando. E que a rigor nada muda, apenas a vã esperança, simbólica, mas forte.

Então, deixa a luzinha acessa sim! E se reclamar vai ter Simone contando!

Tchau, 2015, vá-se embora, ninguém vai sentir sua falta. 2016 vai ser melhor? Graças a Deus não consigo prever o futuro, mas de coração, acho que será melhor sim.

Uma conversa no ônibus


Um camarada pobre entra no ônibus, diz que não tem dinheiro para voltar para casa e humildemente pede carona ao cobrador.

Um camarada pobre entra no ônibus, diz que não tem dinheiro para voltar para casa e aos gritos obriga o cobrador a lhe dar carona.

Isso deu-se no mesmo ônibus, na noite de uma terça-feira no Centro do Rio. O primeiro conseguiu sua carona e foi dormindo para casa. O segundo ficou acordado em pé, no ponto esperando outro ônibus naquela noite fria de inverno. A diferença entre eles? Um soube conversar, outro não

O amanhã se construindo hoje requer pedras, cimento, pessoas, tinta e muita conversa.

O amanhã se construindo hoje requer pedras, cimento, pessoas, tinta e muita conversa.

Conversa no ônibus

Hoje em dia a prefeitura capitaneia uma verdadeira transformação urbana na Zona Portuária da cidade do Rio de Janeiro. A Praça Mauá tem as novas vedetes cariocas, o Museu do Amanhã e o Museu de Arte do Rio. Uma nova cidade, cheia de energia, nasce ali.

Mas naquela terça-feira de 2014, os tempos eram outros.

(É algo muito curioso que uma cidade que nasceu do mar, pelo mar e ao mar tratasse a região portuária com tamanho descaso, desprezo).

Naqueles armazéns velhos e decrépitos, havia um ponto de ônibus onde embarcaram aqueles 2 homens.

A semelhança entre eles? Aparentavam estar bêbados.

Teve um 3º homem. E este sentou ao meu lado, e como eu, apenas observou.

Este 3º homem se chamava Leonardo. Se virou para falar comigo na altura do Armazém 11.

Suspirou-se, trocando o ar fresco que vinha da Guanabara com o vapor de cana que tinha nos pulmões.

Falou-me dos 32 anos de vida que tinha, do grande orgulho e amor a sua esposa, recém casados, estagiária de administração. Sem vergonha ou pudor admitiu que “fumava e bebia uns”, mas que jamais fez outrem passar vergonha ou perdeu um dia de trabalho!

E quem o poderia reprimi-lo? Honra e compromisso apareceram mais que 5 vezes em seu discurso, do Cais do Porto até a Vila da Penha.

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É tão importante e prazeroso conversar, manter um diálogo. Aprende-se uma infinitude de coisas da Vida e da vida do outro (que invariavelmente um dia poderá e será usado na sua vida) – sabedoria popular nunca é demais.

Não existe maior fonte de sabedoria que uma troca de ideias, especial e principalmente se numa das pontas da conversa estiver uma pessoa idosa.

E adiciono um ponto mais subjetivo e pessoal às conversas: poder apreciar a beleza e sonoridade da Língua Portuguesa. Como é bom escutar esse idioma tão sonoro (sobretudo quando é bem conjugado), que envolve tantos assuntos, dos mais banais e chatos aos mais simples e humanos. Troca de experiências faz bem.

Escutemos mais.

Conversemos mais.

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Eu fui para casa pensando nisso. Peguei outro ônibus. Cheguei ao meu destino. Usando Bilhete Único.

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Incrível como eu e meu jeito de escrever mudaram deste a conversa no trem. Espero que aquelas mulheres estejam bem.

Aquela coisa


Sabe aquilo? Aquela coisa mesmo que sentimos? Algumas coisas só sentimos uma vez na vida, outras sentimos mais de uma vez; e querendo sempre mais nos consumimos numa busca. Pode ser num corpo da mulher amada, numa mesa de bar sozinho ou com amigos, numa igreja, no silêncio duma floresta ou até mesmo dentro de você.

Existem prazeres pequenos e intensos, já escrevi sobre eles – mas daqueles que são bem definidos, que já foram testados e classificados. E as coisas que não se apresentam?

Então, sabe aquela coisa que não se define que não se encaixa em nada e que não se diz? Chico Buarque tentou descrever (“o que será que será”), e mesmo com sua genialidade musical não conseguiu. É f*d*.

Por fim, dou-me conta que só escrevi dos prazeres efêmeros e momentâneos, como ir e voltar em menos de duas horas; mas para mim, vida é a soma discreta dos pequenos e instantâneos momentos que nos apresentam. Não sou biólogo, não sei explicar a tal coisa no corpo nem sociólogo para explicar na sociedade (e nas partes que compõem a sociedade). A bem da verdade, têm alguns textos sobre o “prazer eterno”, alguns chamam de religião.

Interessa-me saber se a vida é soma continua ou discreta. Acho que é discreta.

 

Muffin do esquecimento


Hoje, dia 14 de janeiro de 2014, foi a primeira vez que comi muffin desde que estive na Finlândia, em março de 2013. Quase um ano sem provar essas maravilhosas criações do forno. Percebi isso quando estava no mercado, procurando algo para comer na hora do almoço – lembranças muito profundas me encharcaram nesse momento.

Hoje, como em algum dia de março/13, eu estava novamente passeando por um mercado a procura de iogurte e muffin, até os cheiros me pareceram ser iguais ao do círculo polar ártico (lembrando que março é frio pacas lá e janeiro é quente pacas aqui).

Aquela viagem foi única – em uma semana vivi duas pessoas diferentes, uma mais-que-feliz outra triste. Na verdade três, antes da Feliz veio a Esperançosa.

E o que isso tudo tem haver? Sobre essa deliciosa nostalgia, de tempos (e situações que nunca mais se repetirão) salpicados por aquela viagem à fria Helsinque, me veio a tona bons enxertos para um bom post- eu estava no banheiro escovando os dentes quando essa inspiração veio.

Ao tempo de voltar ao meu PC, tudo se foi, toda história traçada nas profundezas do meu cérebro foi-se, evaneceu-se como pó estelar – ficou apenas a lembrança no meu coração.

Então esse texto é sobre isso. É sobre todos os VÁRIOS temas que são germinados, fazem-se notar, têm algum brilho soturno, fugaz. E só. Somem onde nascem: Eu.

Não passavam de textos tímidos, medrosos de encarar o mundo. Ora, façam como seu autor, míseros textos, encarem-se. Se escrevo frases boas, elas vão. Se escrevo frases ruins, elas vão. Se escrevo frases medíocres, elas também vão. Eu confiava em vocês; talvez fosse VOCÊ, ô tema perdido, que me libertasse, que fizesse meu dedo literário florescer, que me desse orgulho.

Mas por medo vocês me deixaram. E vejam só, nem pelo abandono odeio vocês, ao contrário faço uma singela homenagem, com uma ideia que me é leal da cabeça ao editor de texto.

Infelizmente eu sei que aqueles temas, que por uma fração de segundo me deram grande regozijo, nunca mais voltarão a minha mente, a minha folha, ao meu blog.

Não adianta eu ficar agora me lamuriando, (a/i)molando minha tristeza. Eu, em meu humilde e simplório intelecto, só conheço uma saída para me livrar dessa dor: continuar andando, comendo muffins em novas cidades. Fazendo novas lembranças.

Descendo as escadas


Se você quiser um jeito rápido para levar sua vida de forma miserável, triste e nostálgica, basta pensar na passagem do tempo, buscar a todo custo viver num passado tão distante que você nem se lembre mais.

Como eu sei disso? De todos os livros que li, os mais tristes livros que li, o passado  sempre se passa no presente – ou como eu disse no primeiro parágrafo na busca pelo passado.

Eu não tenho certeza-plena para gritar, então me limito a escrever minhas próprias dúvidas. Creio que um dos piores e mais devastadores sentimentos que tenho é a contemplação da nostalgia melódica de um determinado momento do passado [ou do futuro, o que em essência é ainda pior, visto que os humanos também chamam a contemplação do futuro de expectativa]. Em um livro me disseram que a gente só é feliz uma vez, que não vale a pena lembrar-se de momentos, visto que nunca se repetirão; noutro livro me cochicharam que a coisa mais terrível é alterar/esquecer o passado, por isso devemos sempre lembrar.

Posso afirmar que o parágrafo anterior é o mais esdrúxulo enxerto de texto que já teclei; afinal julgo idêntico aos textos chatos e “sem significado” que lia na escola sobre o bicho homem nas aulas de ciências sociais. Eu não sou muito entendido das ciências humanas, mas acredito que a leitura de textos antigos sejam de suma importância para… qualquer coisa. E sem ironia.

Evito levantar hipóteses sobre o tempo, mas as vezes elas me vêm, uma epifania, um insight.

Pode ser numa madrugada de solidão, numa aula, numa conversa, na observância do mar.

Pode ser quando uma criança desceu velozmente as escadas de acesso estação ferroviária. E eu me percebi segurando o corrimão firmemente, com medo de ser atingido por ela.

Pode ser quando eu me lembrei que alguns anos atrás eu próprio subia aquelas escadas tão rápido quando a gravidade me permitia, de formas diferentes, de 2 em 2 degraus, galopando, com um pé só, de 3 em 3 degraus…

E que me desculpe a estabilidade emocional, que meu cérebro tanto tenta manter, mas parei e me lembrei das escadas (e de alguma forma lembrei também da chuva que via pela janela do meu apartamento).

Amanhã eu as subirei de 2 em 2 e descerei galopando!!

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Catarse. s.f. purificação emocional. PSI Terapêutica psicanalítica que pretende o desaparecimento de sintomas pela exteriorização verbal dramática, emocional de traumatismos recalcados.

Pela santa batata, não é medo da idade, nem trauma pela lembrança de algo dramático. É apenas um rascunho de crônica 🙂