De estudante Para D. Pedro II


de: estudante@futuro.brasil

para: pedroii@imperador.brasil

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Saudações, Vossa Majestadade e defensor perpétuo do Brasil,

quem se atreve a lhe incomodar é um súdito da Província da Corte, da Capital Imperial o Rio de Janeiro. Eu escrevo esse email para queixar-me a ti de alguns problemas que ocorrem 123 após o golpe de estado que lhe roubou a Coroa.

Primeiro começo com as queixas sobre o Rio. Desde que resolveram tirar a Capital do litoral e pô-la no planalto central, nossa cidade sofreu um esvaziamento terrível. Eu devo dizer que desde 2007 grandes eventos têm ocorrido, e em função deles estão dando mais atenção e carinho. Mas o problema é que por muito tempo deixaram a Cidade Maravilhosa a sua sorte, dai muitos problemas cresceram e outros vieram.

Exemplifico. A Quinta da Boa Vista, sua casa, virou um museu que por anos ficou sem cuidados, a faixada caiu e mudaram de cor. Sabe os cortiços formados pelos pobres que voltaram da guerra? Então, viraram coisas ainda mais desumadas, chamadas favelas; e elas infelizmente se espalharam por muitos dos lindos morros do Rio. Com isso aumentou a violência, consumo de drogas etc etc. Recentemente, só muito recentemente, o governo começou a tentar mudar o quadro.

Com muito pesar, poderia dar muitos outros exemplos de coisas ruins e tristes que aqui ocorrem. Não me prendo em falar as boas porque para isso tem a televisão e os jornais. Eles só publicam coisas boas.

O Brasil mudou muito. O país como um todo mudou muito mais que nossa cidade, e mudou para melhor, muito embora gritantes assimetrias ainda existam.

O Estado não tem mais religião ofical, a Língua Portuguesa continua sendo o idioma oficial, nossas fronteiras são mais ou menos as mesmas. A pobreza tem diminuído, nossa economia cresce e se diversifica (Visconde de Mauá ficaria feliz), o Brasil começa – finalmente – a se projetar como um potência. Nossa nação ficou muito mais complexa que era nos tempos do Império, o que exige mais dos eleitores e governantes.

Seu Exército e sua Armada, grandes vitoriosos nas guerras em defesa pela nossa nação, foram sucateados (resolveram criar outro ramo, a Força Aérea, depois eu explico como funciona). Nossa produção cultural, embora ainda muito boa, é dia após dia contaminada por “arte-instantânea-importada”. O senhor, como grande admirador das Belas Artes, ficaria muito triste como a arte é feita/embalada/vendida/marqueteada. Eu disse que as notícias boas a imprensa dá conta, nem tanto nem tanto. Há muitas coisas boas sem anúncio, como a Escola de Artes do Parque Lage (localizada no lado sul do seu amado e querido Maciço da Tijuca), movimentos populares de replantio em montanhas da Zona Norte da cidade e outras iniciativas que seus súditos têm.

Os vizinhos continaum dando problemas. Na verdade, ao invés do Paraguai, agora o problema agora é Bolívia e Venezuela, no norte. Pelo sim pelo não, precisamos de mais duques de Caxias em nossas fileiras…

Infelizmente o mundo só reconhece o Brasil como uma país tropical, com belas selvas, praias e animais. Ignoram nossa cultura. Ignoram nossa Ciência, nosso passado de um grande Império. Do Rio, sabem todas as praias, mas não sabem sequer uma grã-Academia, o Municipal, o CBPF, uma igreja. Isso me deixa triste.

De resto é isso. Gostaria e agradeceria bastante se Vossa Majestade pudesse mais uma vez ajudar esse país, essa grande nação grande. Que seus pavilhões e gestos possam ser lembrados em Brasília (a nova capital) como exemplos de um grande governante. E é isso que o País precisa: um grande estadista!

Precisamos novamente de um Pedro. Seja I para bradar a liberdade, seja II para desenvolver!!!

Atenciosamente,

Leandro Santos, um modesto súdito estudante de nível superior, provinciano da Corte, dos subúrbios da EF dom Pedro II.

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Obrigado Elio Gaspari pelo formato do texto.

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