Hoje é dia da Padroeira


Seria impossível que uma pequena imagem, pequena mesmo, se tornasse símbolo da Fé de um povo tão grande, grande mesmo, se não fosse enviada por Deus.

Sem dúvidas hoje não é Páscoa (nada se compara), mas a alegria é enorme, enorme mesmo.

Essa é imagem original achada pelos humildes pescadores no rio.

Essa é imagem original achada pelos humildes pescadores no rio, exposta na Basílica Nacional em Aparecida do Norte.

Viva Maria, mãe de Deus e nossa‼ Viva Maria, mãe da Igreja‼

A Tradição cristã está tão profundamente enraizada no país do povo-de-pele-morena que os símbolos que representavam somente a Santa Igreja passam a ser símbolos nacionais. De forma proveitosa e danosa (infelizmente nem tudo tem somente lado bom) a Tradição misturou-se ao povo, sustenta-o, mostra seu passado e auxilia a determinar seu futuro. Isso sem dúvidas é bom, afinal nossa catequese iniciou-se séculos atrás com o beato José de Anchieta. O lado meio chato é a mistura não bem conduzida com outras religiões, com política ou com uma visão distorcida dos preceitos religiosos.

Um exemplo que reflete que somos indiscutivelmente um povo da Cruz é o outro Comemorado no dia 12 de outubro: o Cristo Redentor. Idealizado, financiado, construído e abençoado pelos fiéis católicos, hoje o Cristo não tem somente a simbologia cristã da redenção; seus braços abertos conduzem um abraço àqueles que chegam na cidade de São Sebastião. O Cristo Redentor expõe de forma muito sutil os mistérios cristãos e cariocas, expõe que o fim da crucificação é a ressurreição.

“de braços abertos sobre a Guanabara”

Mãe e Filho, com o Pai e o Espírito, fazem descer do Céu ao povo da terra brasilis as bençãos necessárias para que, apesar dos desagravos cotidianos, continuemos a ser um povo feliz, com “paz constante e prosperidade completa”, num lugar “abençoado por Deus e bonito por natureza”.

Salve Regina.

Anúncios

Transbordando de alegria pascal


Um texto numa oitava acima

“Alegrai-vos”

O tempo litúrgico que começa na Vígila na Noite Santa e se extende até o dia de Pentecostes é chamado de Tempo Pascal. É nesse tempo que as promessas de Cristo são mais claramente anunciadas a luz da Ressureição. A alegria da Vigília Pascal, quando finalmente cantamos o tão esperado aleluia, mais a solene procissão de Cristo vivo, onde anunciamos pelas ruas a vitória sobre a morte, mais a missa do domingo de Páscoa tornam a Sexta-feira da Paixão um triste e necessário marco no calendário. Algo que foi de veras muito importante, mas está no passado. A ressureição é futuro! E futuro é alegria!

Já estamos distantes do tempo pascal, significa então dizer que a alegria já não mais existe? Não! A alegria ainda existe e persiste.

Não vou me ater aos mistérios que tornam a alegria pascal tão mais sublime que qualquer coisa que me possa ser ofertada, não tenho inteligência para isso, muito menos sabedoria. Apenas sinto. Apenas creio.

Nas igrejas já não vemos os paramentos brancos nem a estola posta no crucifixo do altar (típicos do período pascal), contudo, ainda assim, a alegria está lá. É renovada em todas as missas: toda vez que nós nos reunimos em torno do altar, uma luz nos ilumina dando novo folego, revivemos a Páscoa. Sejamos luz. Por dois mil e dez anos desde a Encarnação, a fé católica revigora-se na mesma fonte: o próprio Senhor, seja na presença física, como no começo, seja na presença sacramental, como é em nossos tempos. A fonte da alegria é a mesma por 2000 anos. Qual tablet pode te deixar feliz por tanto tempo?

Como prometido, não quero (nem posso) fundear-me na parte teológica, apenas creio. E essa é parte santa da Igreja Católica, a presença de seu próprio fundador, o Filho do Deus vivo. Mas veja você, meu leitor, mesmo na outra parte, a não-santa, podemos viver essa alegria.

Seria melhor ter dito compartilhar essa alegria. Só quem vive em comunidade sabe do que eu estou falando, e olha que muitas vezes vemos nas paróquias coisas não muito não-cristãs (não por acaso acima eu disse ‘parte não-santa’ como eufemismo para ‘parte pecadora’, o que no final das contas é superado pela santidade da primeira parte).

Só quem está dentro sabe a imensa alegria vinda após um árduo trabalho. Só quem está dentro sabe como é bom se relacionar com outras pessoas que O sabem. Só quem está dentro sabe o verdadeiro princípio e fim de todas as coisas. A alegria nos preenche por completo. Eu amaria saber explicar o que sinto, por em caracteres ou gritar o que sinto; eu amaria dividir com vocês; entretanto, leitor, não é gritando nas ruas com uma bíblia nas mãos que conseguirei compartilhar com vocês essa alegria incomensurável. Pois se eu o fizesse[gritar], estaria ferindo os princípios dessa alegria: o silêncio, a calma, a escuta e por fim, a Paz. É a alegria que impele termos atitudes alegres – como cantar ou dançar -, não o contrário.

O relacionamento que tenho com os paroquianos é parte muito relevante na construção da alegria. Aqui um beijo para a minha amada paróquia, Santa Isabel Rainha de Portugal.

Quando se conhece essa alegria, mesmo que tenha sido breve como um suspiro, não mais se consegue viver sem perguntar-se como obté-la novamente. As igrejas reformadas – com consciência dessa alegria- mantiveram em suas liturgias e doutrinas sempre algo que permitisse ainda estar em comunhal (parcial) com a Igreja fundada pelo autor da alegria. Unidade e coerência também são princípios da alegria

E sendo coerentes, sabemos fazer nossos depósitos naquele que nos pagará com bons juros, aquele que no final dos tempos nos chamará pelo nome; juntos participaremos da ressureição. Daí urge a imensa beleza e necessidade do crucifixo, não se pode querer a parte alegre e eterna sem antes passar pela parte triste e finita. O crucifixo representa uma alegria sem fim, ou seja, um amor sem fim. Se lembra da ideia que não podemos ter o sentimento antes da ação? então, é preciso antes plantarmos para depois colhermos.

Por fim, não nos resta muita coisa a fazer senão viver. Viver conforme a Sabedoria do Evangelho, seguindo fielmente a Doutrina e enaltecendo/renovando a Tradição.

Leitor, feliz Páscoa! (lembre-se: não vive a Páscoa sozinho, brigado ou com raiva. Amai para alegrar-vos)

**–

Hoje, comemoramos liturgicamente o dia de São Pedro e São Paulo, as pedras da Igreja de Cristo.

São Pedro, tão traidor quanto Judas Iscariotes, aceitou o perdão divino e recebeu do próprio Filho de Deus a autoridade para legislar e governar a Igreja, que é a fidelíssima depositária dos dons divinos, bem como a missão de apascentar as ovelhas de Cristo. E hoje a autoridade das chaves é confiada a seu sucessor, o papa Bento XVI.

São Paulo, exemplo de ardor missionário, não feliz em ter Cristo só para si, quis levá-Lo a todos.

**–

Hoje, domingo, solenidade de São Pedro e São Paulo, é véspera da festa da querida padroeira de minha paróquia. Grande felicidade nos vem do alto pela simples lembrança da amada Santa Isabel. Ainda maior alegria é quando nos reunimos e por ela glorificamos Cristo.

Santa Isabel, rainha de um dos mais poderosos reinos europeus da época, encontrou seu prazer na esmola e na caridade; grande exemplo para nós – que por termos um mísero smarthphone perecível nos achamos superiores aos mais pobres.

**–

Os santos são aqueles que souberam viver conforme Deus desejou, e por isso já aqui na terra manisfetaram as graças de transbordar da mais pura alegria pascal. Louvado seja Deus nos seus santos e santas.

Rogai por nós.

**–

Eu não entendo muita coisa de teoria musical, mas aprendi assistindo um documentário da BBC sobre música sacra na Idade Média que quando os monges queriam dar um ar mais solene ao cantochão usado nos serviçoes religiosos, eles cantavam uma oitava acima. A diferença é incrivelmente bela.

Ainda em tempo, o ‘alegrai-vos’ foi tirado do Evangelho segundo São Matheus, capítulo 5 versiculo 12.

Mensagem de Páscoa


Passado o tempo da Quaresma e da Semana Santa nós chegamos a plenitude da vida: com Cristo chegamos a vida eterna. Jesus tendo sido o primeiro, Ele nos alcançará, na consumação do tempo e da história, a ressurreição.

Páscoa não é chocolate. Páscoa é passagem da escravidão para a liberdade, se outrora os judeus celebravam a liberdade dos egípcios, hoje nós celebramos o fim da nossa escravidão para o pecado.

A Santa Igreja convida os fieis a se preparem para a Páscoa anual, e da mesma forma convida continuamente para mudar de vida em vista da Páscoa individual, quando em virtude da morte seremos julgados conforme nossos atos e provaremos da infinita Misericórdia Divina.

Com a alegre acolhida de Jesus em Jerusalém (Domingo de Ramos), com seu exemplo de humildade e vontade de perpetuar para todo o sempre sua permanência (Quinta-feira Santa), sua dócil e livre entrega por nós (Sexta-feira Santa), o silêncio durante o dia e grande júbilo durante a mais santa das Vigílias (Sábado Santo). Com tudo isso nós chegamos na mais importante data do calendário cristão. Os eventos ocorridos na Semana Santa marcaram profundamente os últimos 2000 anos da história Ocidental. Para honra da Santíssima Trindade, para a exaltação da fé católica e incremento da religião cristã muitas obras em toda sorte do conhecimento humano foram feitas. Isso somente porque Cristo mostrou que a morte não é o fim. Com morte para o mundo nascemos para Cristo.

Quão bom é Deus que não permite que seu povo sofra ou viva em luto por muito tempo! Se na Sexta-feira nossas músicas eram tristes e os altares desnudos já no Sábado nossa alegria é cantada ao som dos sinos para que no Domingo vivamos a transbordante alegria pascal, sob a luz que não se apaga‼

Um dos mais belos e antigos textos litúrgicos é lido no Sábado da Vigília Pascal; o Exultet resume o sentimento da grande misericórdia de Deus: é tão maior o Redentor que o pecado original de Adão.

Permita Deus todo-poderoso que um dia possamos, não por nossos méritos mas pela sua misericórdia, participar da Sua Glória, junto com todos anjos e santos, com a Virgem Santíssima foi a primeira a ser elevada aos Céus por graça de Deus.

Feliz Páscoa, leitores. Que Cristo seja o farol de nossos corações.

Eu nunca passei fome


A afirmação do título do post pode ter encucado a maioria dos meus leitores, porque a maioria dos meus leitores faz parte das classes média e alta. E nesse estrato social a fome é um assunto meio distante, meio africano, meio utópico e que vez ou outra gera uma passeata em prol dos excluídos do sistema. E verdadeiramente, graças a Deus, eu nunca passei fome. Nós nunca passamos fome.

Jejum, abstinência e oração. Três palavras que são o extremo oposto dos valores veiculados hoje em dia. Três palavras que norteiam a quaresma cristã. Três palavras que assustam os miseráveis de coração. Pela quaresma ser o período de preparação para a Páscoa, essas três palavras são/devem/deveriam ser mais bem vivenciadas.

É comum a abstinência de uma coisa que signifique muito nesse tempo; o objetivo da abstinência é provar ao final dos 40 dias que você não precisa de gadgets, doces, video game para viver.

A importância da oração é a mesma de todos os outros tempos litúrgicos; é a forma de nos comunicarmos com Deus, aceitar a Divina Providência, escutar Sua voz, encontrar a nós mesmos, é nossa “união íntima e vital com Deus”. Essas atividades devem ser intensificadas para sustentar o ano que segue!

Eu achava que jejum era apenas não comer…

Faço cinco ou mais refeições diárias, no estilo ocidental de ser. Me propus a extender a vivência quaresmal nesse ponto: comer menos. Tenho plena ciência que as vezes não como por vontade/necessidade, apenas, pois, para manter o hábito.

Certo dia, tomei meu café da manhã para ir à faculdade. Me propus que não faria o lanche intermediário entre o café da manhã e o almoço (normalmente não almoço);  em previsão de que teria um dia corrido, almocei cedo para evitar filas. Previsão acertada, dia extremamente corrido sem tempo para respirar, matérias sufocantes, laboratório com problemas etc. Não comi nada pela tarde, no fim do dia estava com fome, obviamente eu estava com fome. Preferi ir para casa. Ônibus enfrentou engarrafamentos da Avenida Maracanã até a Estrada do Portela, ou seja, quase todo o percurso, levei mais de 2h30min. Eu sentia fome. Tinha biscoito na mochila, contudo preferi não comer. Essa situação de jejum forçado não me pareceu coincidência. Quem tem fome tem pressa. Dei-me conta que não mais sentia fome (quem se lembra de biologia do ensino médio deve se lembrar da função do fígado nesses casos). Isso só foi possível porque eu me alimento todos os dias, graças a Deus.

Pensei nas milhões de pessoas que passam fome, não por horas ou por um dia, mas nas pessoas que passam fome diariamente, todos os dias de suas vidas até que a doença vença sua fraqueza. Pensei nas pessoas que vivem sem dignidade, sem felicidade, sem esperança.

A essas pessoas só posso oferecer minhas orações. Pior que a fome física é a fome espiritual, falta-nos Deus, embora Ele próprio se oferça como alimento. Negamos a doação divina, sem ela nada podemos fazer para ajudar no combate à fome física.

Não que eu nunca tenha pensado nelas, dessa vez apenas compartilhei do seu sofrimento (que no meu caso seria resolvido ao chegar em casa, com um prato de comida). E essas pessoas que não tem casas com pratos de comida, como ficam? Dividir a fome com elas é apenas um passo a ser feito. Aqui a palavra fome não é só fome de comida, mas fome de tudo aquilo que dá suporte a vida! Pois ninguém deseja ao próximo aquilo que não quer a si, fome, dor, desesperança, indignidade, morte.

Não peço a nenhum de vós, leitores, que nunca mais comam nada. Apenas que reflitam sobre algumas extravagâncias que são cometidas na vida diária, como um copo d’água jogado fora. Isso para famintos é extravagante, pese pelo peso dos mais fracos

Quaresma não é regime. Também não é para fazer boas obras só nesse tempo, mas é tempo propício de começo, de mudanças -mudanças internas- de construção da vida eterna, de buscar o banquete pascal na morada do Pai.

As Cinzas da fé – Mensagem de carnaval


Em tempos recentes me disseram que sou menos cristão que um comunista; não que seja perfeito, eu – como todos os seres humanos – tenho minha cota de pecados. Contudo, falaram-me isso em tempo oportuno, pois no caminho da vida sempre temos que rever nossas posições, mesmo que e principalmente se formos comparados com tamanha amplitude.

**–

Ainda não parei para refletir e estudar sobre o assunto, mas creio que é próprio do ser humano por festas profanas antes de festas santas, por exemplo, o Halloween (do inglês arcaico, véspera de halo). Essa festa, das bruxas, é comemorada dia 31 OUT, portanto um dia antes da solenidade de Todos os Santos, 1º NOV. E claro o Carnaval…

Antes duas informações: PRIMEIRA – Cristão significa “aquele como Cristo; adepto de Cristo”. SEGUNDO – O Cristianismo é regido não pelo ano civil, mas sim pelo ano litúrgico, onde é celebrada a vida de Cristo, a memória Dele é relembrada. E aqueles que querem ser como Cristo e Seus adeptos devem viver conforme Ele viveu. OK, de volta ao Carnaval.

Segundo minha análise prévia conforme o povo, se há festa santa deve haver festa profana anteriormente. Também segundo a tradição cristã, a celebração do domingo e das solenidades começam na tarde do dia anterior. Nesse momento, você estimado leitor, deve estar achando que isso aqui não é uma mensagem de carnaval, mas sim uma catequese. Avance um pouco mais e logo verás que até mesmo a esbornia tem lógica.

A festa santa que sucede o carnaval é a Quaresma, período de 40 dias de penitência e conversão. Como dito anteriormente, a Igreja prega a vida de Jesus no ano litúrgico, esses 40 dias são a memória de quando Ele ficou 40 dias no deserto. E deserto não é bem um lugar legal de se passar as férias com a família e amigos, muito menos solitário. Lá não tem McDonald’s, Habib’s e afins. Lá é um lugar onde você só pode fazer uma coisa: pensar! E hoje em dia esse verbo é pouco conjugado na primeira pessoa do singular.

A Quaresma por sua vez convida as pessoas a pensarem sobre sua vida, para se preparem para uma data que vem depois dela, a Páscoa – a data mais importante do cristianismo. Agora vamos começar a juntar os parágrafos.

Se a preparação para uma solenidade dominical começa na tarde do sábado, a preparação para a Páscoa começa 40 dias antes. Vão querer comparar a intensidade do Halloween com a do Carnaval? Quiseram por a austeridade de 40 dias ‘compensada’ em 4 dias. O resultado? Nós temos o melhor carnival do universo, especialidade das terras tupiniquins…

Enfim, eu não acredito que meus leitores me lerão durante o carnaval, há coisas ‘melhores’ a serem feitas; mas desejo que ano que vem possam ter um carnaval mais light mais tranquilo mais cristão (mesmo em doses comunistas, é um começo) . Divirtam-se e alegrem-se com juízo e responsabilidade, pois finalmente o ano de 2011 vai começar na terra brasilis.

**–

Tenho esperança na Piedade divina e em Sua Justiça. Que nesse período eu possa refletir meus atos e ações. Que nós possamos.

Nas horas das orações


Na hora da morte

vem a remissão vem o alívio vem o consolo vem o descanso vem a cobrança vem a Paz.

Não quero fazer uma ode a morte para celebrá-la. Ela não é o fim. Muitas pessoas deixam para encontrar Deus somente nesse momento, e Ele as aceita.

Na hora do nascimento

vem a esperança vem a luz vem a água vem a promessa vem a vida vem o Amor.

Não quero supervalorizar nada, todos os momentos são de igual importância. No momento do batismo somos elavados a condição máxima de filhos de Deus, por vontade Dele.

Desde que deixamos de ser macacos(deixamos?) temos o medo do fim, acho que não entendemos bem as coisas.

Na oração da Ave-Maria dizemos “rogai por nós pecadores, agora e na hora de nossa morte”. Esse é o sentido. A hora de nossa morte é importante, pois a partir dela viveremos a verdadeira vida. Junto a Deus na eternidade.

Na oração da Salve Rainha dizemos “rogai por nós, Santa Mãe de Deus, para que sejamos dignos das promessas de Cristo”. Cristo disse que seu Reino não é na Terra, mas nos Céus, onde há muitas moradas.

Na oração do Pai Nosso dizemos “seja feita vossa vontade, assim na Terra como nos Céus”

As promessas da Fiel Depositária da Revelação Divina, a Santa Igreja, tem suas promessas não nesse mundo, suas ‘vantagens’ não são nesse mundo. A ‘recompensa’ da Fé é no mundo que há de vir.

Vamos depositar nossa Fé e nutrir nossa Esperança naquilo que merece.

Amém.

Pastel x Roteador


Cristãos crêem que a Palavra de Deus cria, orienta e sustenta. O resto cabe a Ciência.

Acredito que o ‘debate’ entre ciência e religião (qualquer uma) valha menos que uma comparação entre um pastel de queijo e um roteador. Afinal nem pastel, nem roteador, nem ciência, nem religião têm algo em comum entre si.

As pessoas têm uma forma peculiar e errada de entender a Bíblia – em absoluto quero dizer que tudo entendo, fique claro -, nesse post foquemos em Gênesis, onde é narrada a criação segundo Deus. Hoje em dia qualquer bêbado sabe com propriedade as sofisticadas teorias físicas sobre o Big Bang. Em maior ou menor grau, todos compreendemos a origem do universo. Porque o Big Bang foi real, mensurável. Então por que raios está na Bíblia que Deus criou o mundo em 7 dias quando sabemos, todos nós, da Grande Explosão?

Simples, quando o livro foi escrito, o autor tinha uma mensagem e não sabia do Big Bang. Como ele tinha que passar a mensagem em diante, escolheu uma forma poética! Qual é essa mensagem? Deus é criador, seja do Big Bang, Teoria das Cordas ou qualquer outra coisa que a Ciência proponha.

A Bíblia não é um tratado científico, não se pode usá-la para explicar a teoria da criação do universo ou chuvas torrenciais que afundam terras (o dilúvio tem a mensagem de renovação e purificação, não foi escrito por um oceanógrafo). Surge uma palavra que permeia todo ‘debate’: simbolismo. Cientistas desperdiçam recursos querendo provar algo que nem mesmo o papa se preocupa.

Certa vez escutei o padre falar na homilia que somente as pessoas mais simples e as mais inteligentes crêem em Deus, as do meio não eram crentes. As mais simples por terem fé e consciência que não sabem dessas coisas, vivem suas vidas com humildade. As mais inteligêntes por terem fé e consciência que não sabem dessas coisas, vivem suas vidas com humildade. As do meio estão perdidas em seu orgulho e crenças falsas de que tudo sabem ou podem vir a saber.

Surge outro tópico muito importante, que é o trabalho dos teólogos e doutores da Igreja: descobrir aquilo que deve ter interpretação literal ou não. Fatos como criacionismo não são literais (mas o simbolismo sim), fatos como ressurreição e assunção são Dogmas de Fé. Observe que nem mesmo nesse ponto nevrálgico o tal ‘debate’ tem razão em ser.

Mas é rentável fazer jornais com manchetes garrafais sobre o mais novo embate entre Ciência e Religião; vi um jornal dedicar duas páginas sobre isso quando a NASA lançou um telescópio, um telescópio! Estas buscam coisas verticalmente diferentes, diria até que uma complementa a outra. O rigor de uma termina para o outro começar. Alguém sabe o que tinha antes do Big Bang? Pois é. Alguém sabe por qual sorte existe tão rara espécie de vida? Pois é. Entre vários outros exemplos que poderíamos ter cá, vemos que a mais magnânima técnica estuda as consequências da Divina Providência. Agradeço a Deus por ter tado fonte de renda a nós, técnicos.

Crer em Deus não é negar a Ciência, pelo contrário, é saber reconhecer que toda Sabedoria vem do Alto.