O Mar


Esse texto também poderia ser uma resenha do fantástico livro homônimo do autor John Banville, o qual sugiro fortemente a leitura. Mas não é.

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Eu sou o típico chato que não se enquadra em nenhum grande grupo social, nunca nada nem ninguém se encaixa perfeitamente, não há homogeneidade dos grupos (nada me agrada facilmente).

Ressalva-se um grupo nessa lista. Como todo bom descendente de português, eu tenho um laço especial com o Atlântico – afinal esse oceano definiu a grande nação lusa. Como todo bom carioca, eu tenho um laço especial com a orla – afinal as praias são os templos ao deus verão.

Pode ser bobeira, mas eu fico realmente incomodado quando fico muito tempo longe do mar. Disso deve-se entender ficar muito tempo sem ver o mar, não entrar nele. E como já dito eu sou muito chato. Não é qualquer ‘mar’ que eu gosto de ver.

Na cidade de São Sebastião há dois locais muito específicos dos quais eu avisto o oceano que beijou o Titanic. Em final, o Atlântico também é o único oceano que conheço.

O primeiro que exponho é um local com grande valor histórico, afinal Dom João VI e sua trupe de portugueses ali chegaram em algum momento do começo do século XIX que definiu o Brasil como grande-nação, mas como grandes gozadores que somos demos a esse lugar um nome em honra a grande data da República. Trata-se da Praça XV (de novembro, dia da proclamação da República brasileira).

Não é exatamente o lugar mais bonito de toda cidade, perto do porto, da estação das barcas, dos elevados e mergulhões para carros e também perto de alguma coisa da Marinha. Sei lá, eu gosto e ponto.

O outro lugar, muito mais bonito e muito mais agradável para se sentar e tomar um suco é o Aterro do Flamengo. Este lugar é bonito por si só, bonito por elementos que ficam próximos e bonito porque eu vejo bonito. Afinal, o Cristo Redentor, Pão de Açúcar, Igreja da Glória, Monumento aos Pracinhas, lindas árvores e o Museu de Arte Moderna brindam o Aterro de singular beleza nessas terras fluminenses.

Eu gosto muito de estar lá – numa tranquilidade rara – e ver os aviões subindo do aeroporto Santos Dumont. O arquiteto que projetou esse espaço foi muito agraciado. É estranho lembrar que outrora o mar banhava o Museu Histórico Nacional (que funcionava como forte) pois é relativamente longe. O morro do castelo, origem dos recursos para o aterro, devia ter terra o suficiente para aterrar o Atlântico por completo.

De resto, só me resta ter coragem para navegar ou banhar-me nas águas do Atlântico.