Pisca-pisca 2015


Um embate que ocorre todo final de ano entre mim e minha mãe é se os pisca-pisca devem ficar acessos a noite toda ou não.

Ela quer deixar a casa enfeitada. Eu penso no gasto energético.

Como eu sempre durmo mais tarde, desligo tudo. Mas esse ano, 2015, foi diferente.

Vi muito menos casas enfeitadas para o Natal, menos pessoas animadas com as festas. Vi (e principalmente senti) muita desanimação, muita previsão ruim, muita tristeza e decepção.

2015 não foi fácil na economia, política e na minha vida pessoal de muita gente. Mas o pior é esse efeito psicológico de manada, onde uma tristeza foi tão bem propagandeada, que cobriu o Brasil com um véu de morte e paramos.

Paramos em tudo! Luto por quem? Não sabemos. Ao que me consta, o Brasil é infinitamente maior que as tragédias pessoais de cada um de nós, é maior que todos os mandos e desmandos da política, é maior que a cotação do dólar.

E ao frigir dos ovos, nossas vidas são maiores e mais dignas do que as reportagens que fingimos entender.

É preciso um pisca-pisca na janela para lembrar ao transeunte que é Natal, que é fim de ano. Lembrar que esse ano pavoroso está acabando. E que a rigor nada muda, apenas a vã esperança, simbólica, mas forte.

Então, deixa a luzinha acessa sim! E se reclamar vai ter Simone contando!

Tchau, 2015, vá-se embora, ninguém vai sentir sua falta. 2016 vai ser melhor? Graças a Deus não consigo prever o futuro, mas de coração, acho que será melhor sim.

Em 2013, o Imperador e o barão


Chegamos ao final de mais um ano e nada vai mudar só porque mudamos algumas folhas de papel.

Em 2012 tive uma grande oportunidade de estudar e estagiar num país que é referencia em muitos pontos, no continente que costuma ser referencia de qualidade de vida. Muito mais que uma chance de estudar 1+1, eu tive uma oportunidade de ver o Brasil e os brasileiros dum outro patamar. Depois desse tempo fora, sei que voltarei para uma nação muito diferente da que vivia – não só porque eu mudei, mas a forma como eu vejo o Brasil também mudou.

Há várias notícias sobre coisas boas que acontecem mundo afora, e os brasileiros insistem em criticar duramente o Brasil, relegando-nos a um estado permanente de subdesenvolvimento, na mais perfeita e sombria sintetização do “espírito de vira-lata” de Nelson Rodrigues. Ora, é óbvio que o Brasil tem problemas muito sérios, mas justificá-los por sermos brasileiros além de não ajudar a solvê-los é uma grave a ofensa aos cidadãos de bem desse país. E eu me sinto muito ofendido.

A notícia em questão era sobre uma nova ferrovia de alta velocidade na China; um dos comentários era sobre a lerdeza na construção do trem bala Rio-Sampa, dizendo que nunca no Brasil houve uma malha ferroviária decente e nem nunca terá. Nesse ponto que surge o barão.

Barão de Mauá, um brasileiro memorável, que a despeito da inércia do Estado soube ousar e crescer. A despeito da descrença ergueu fábricas e infraestruturas inéditas. E criou ferrovias. Muitas. Um cidadão de ímpeto empresarial ímpar nas terras do Sul.

São as pessoas que elegem seus governantes, mas um estadista/político sozinho não faz milagres, apenas coordena os recursos da nação. George Washington, Churchill, Vladimir Putin não seriam notórios se governassem macacos inanimados. Certa vez disse John Kennedy, “não pergunte o que seu país pode fazer por você, mas o que você pode fazer por seu país”. Latino Americanos, Brasileiros despertai em vós o ímpeto e a audácia do Barão neste novo ano.

Lembrai-vos também dos valores de Dom Pedro II ao elegerem os políticos. Quando as vontades política e privada se encontraram, lançaram o Brasil no caminho da grandeza. Sinceramente desejo a benção de podermos repetir os acertos e consertar os erros, assumindo sempre nosso passaporte, nosso brasão.

Em 2013 desejo a todos vós a capacidade de inovar, desafiar, crescer, expandir, sustentar, amar e ter Paz.

Desejo mais vontade política, mais vocação religiosa, mais aptidão a discussões saudáveis, mais empreendedorismo, mais sensibilidade, mais vida, mais Machado de Assis.

Um bom 2013.

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Na cidade do Rio de Janeiro existem duas grandes estações ferroviárias, a estação Dom Pedro II (atual Central do Brasil) e a estação Barão de Mauá (renomeada para Leopoldina e desativada). Uma pena que a política do Governo na década de 50 foi desmantelar nossa infraestrutura ferroviária.

Juramentos, despedidas e demais coisas


Juramento

I

Eu terminei meus estudos básicos – conforme obriga a legislação brasileira – no glorioso Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (comemorado nesse blog), que é uma Instituição cuja história remonta há 100 anos no passado dessa República. A conclusão desse ciclo foi feita solenemente no auditório principal diante de uma multidão de parentes, amigos e (des)conhecidos, também estava presente o Diretor-Geral, o representante legítimo do Estado brasileiro. Naquela noite, eu e demais formandos fizemos um jurameto: aplicar todo conhecimento adquirido para o bem, devolver à Nação cada fração do investimento, respeitar e defender a Constituição brasileira e demais leis, enfim, “elevar o Brasil ao seu justo lugar entre as nações”. Naquele dia, eu empenhei minha palavra, tendo como testemunha todo esse elenco, e pela minha honra devo cumpri-la, apesar dos pesares.

II

Conforme recomenda a Tradição, ao atingir a idade mínima eu entrei para o curso de Crisma. Após o periodo de estudo e preparação, eu estava apto para afirmar perante toda Igreja, que é uma Instituição cuja história remonta há 2000 anos no passado da espécie humana e sempre presente nesse país. Esse rito de confirmação da Fé foi professado solenemente na minha paróquia de origem, completamente cheia, diante de parentes, amigos, (des)conhecidos e do bispo, representante legítimo do Magistério da Santa Igreja Católica. Naquela alegre celebração, eu e demais crismandos fizemos um juramento: nortear todo nosso entendimento para o bem, respeitar, defender e propagar o Evangelho e todo ensinamento da Igreja, enfim, realizar todas as coisas “para a maior Glória de Deus”. Naquele dia, eu empenhei minha palavra, tendo como testemunha todo esse elenco, e pela minha honra devo cumpri-la, apesar dos pesares.

Despedida

Embarco para o país que sempre amei, país cuja história sempre estudei. Vou ao país da cerveja e tenho fígado fraco; ao país tetracampeão e nada sei de futebol; ao país dos brancos e sou moreno; ao país das batatas, mas só gosto delas à francesa.

Com tantas razões para não ir, com os favores de Deus eu irei. Talvez o maior dos medos seja colocar meu sonho à prova da realidade. À prova da fria realidade alemã.

Estando eu numa terra estrangeira, acho dificil manter esse blog face a tantos desafios que se me erguerão. Blog que já sofre com a sazonalidade desse autor. Não o abandonarei (até porque será o mais forte laço com a língua de Machado que terei nos proximos meses), mas sofrerá ainda mais com a sazonalidade. Me desculpem, leitores.

Dizem que o homem busca a redenção na hora da morte. Busquei redimir-me antes de esticar as canelas. Ficar tanto tempo longe poderia ser ruim. Digo, leitores, que é ruim buscar amar todo amor em poucas semanas; abraçar todos os abraços; olhar todos os olhares; pedir perdão por todos os erros. Segurar em todas as mãos. Fiar cada amizade. Enfim, ser um homem melhor.

Cada uma das coisas que citei, sugiro a vós, leitores, que não deixem para a última hora, ora. Nunca se sabe quando você entrará num avião ou irá para Avalon.

Acho que a melhor coisa que as partes podem fazer numa despedida é manter a fidelidade. Semper fidelis. A Igreja sei que será fiel. Espero o mesmo da República e das pessoas. Eu buscarei sê-lo.

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Eu sou uma pessoa muito rica em viagens. Já estive em Istambul, Sarajevo, Osaka. Já estive por quase toda Europa, Estados Unidos, Colombia, Peru. E o mais interessante dessas viagens é que visitei esses lugares em diferentes épocas. Minha cidade, por exemplo, eu visitei quando o Império nasceu e se fortaleceu, quando o Império caiu, quando a República se instaurou, quando se mudou para os planaltos centrais dessa vastíssima Terra de Santa Cruz.

Eu estive junto aos portugueses que aqui desembarcaram e vi cada detalhe dos índios que aqui viviam; comemorei os 500 anos do descobrimento, o centário da independência. Chorei ao mandarem fechar as fábricas dessa colônia lusa, também chorei quandos os Jesuítas foram expulsos.

Todas essas viagens ocorreram num período muito especial de minha vida: minha juventude. Deram-se por livros, desenhos, filmes, estudos. Cada simples figura tornava-se o mais nobre brasão de armas na fertil imaginação da criança, que era muito bem alimentada por desenhos e historinhas. De todo não sou tão despreparado, mas por certo tenho menos coragem que os bravos descobridores de outrora.

Engraçado que, embora tudo esteja já previsto, a sensação é que entrarei numa caravela  buscando comprar cravo&canela nas Índias. Ideia simples e lucrativa, porém dificil de ser cumprida. De um erro, o Brasil foi descoberto e deu certo. E é exatamente assim que começo a erguer os pavilhões que me acompanharão: determinado a dar certo; e se algo der errado, dará ainda mais certo. Se for da vontade do Altíssimo.

Por essas e outras coisas, demos graças a Deus #AMDG

intercâmbio

Hoje é dia da Padroeira


Seria impossível que uma pequena imagem, pequena mesmo, se tornasse símbolo da Fé de um povo tão grande, grande mesmo, se não fosse enviada por Deus.

Sem dúvidas hoje não é Páscoa (nada se compara), mas a alegria é enorme, enorme mesmo.

Essa é imagem original achada pelos humildes pescadores no rio.

Essa é imagem original achada pelos humildes pescadores no rio, exposta na Basílica Nacional em Aparecida do Norte.

Viva Maria, mãe de Deus e nossa‼ Viva Maria, mãe da Igreja‼

A Tradição cristã está tão profundamente enraizada no país do povo-de-pele-morena que os símbolos que representavam somente a Santa Igreja passam a ser símbolos nacionais. De forma proveitosa e danosa (infelizmente nem tudo tem somente lado bom) a Tradição misturou-se ao povo, sustenta-o, mostra seu passado e auxilia a determinar seu futuro. Isso sem dúvidas é bom, afinal nossa catequese iniciou-se séculos atrás com o beato José de Anchieta. O lado meio chato é a mistura não bem conduzida com outras religiões, com política ou com uma visão distorcida dos preceitos religiosos.

Um exemplo que reflete que somos indiscutivelmente um povo da Cruz é o outro Comemorado no dia 12 de outubro: o Cristo Redentor. Idealizado, financiado, construído e abençoado pelos fiéis católicos, hoje o Cristo não tem somente a simbologia cristã da redenção; seus braços abertos conduzem um abraço àqueles que chegam na cidade de São Sebastião. O Cristo Redentor expõe de forma muito sutil os mistérios cristãos e cariocas, expõe que o fim da crucificação é a ressurreição.

“de braços abertos sobre a Guanabara”

Mãe e Filho, com o Pai e o Espírito, fazem descer do Céu ao povo da terra brasilis as bençãos necessárias para que, apesar dos desagravos cotidianos, continuemos a ser um povo feliz, com “paz constante e prosperidade completa”, num lugar “abençoado por Deus e bonito por natureza”.

Salve Regina.