Quando eu morri


Esse texto EM NENHUMA CONDIÇÃO representa qualquer verdade crida e confessada pela Igreja Católica em NENHUM DE SEUS DOCUMENTOS. TRATA-SE SOMENTE DE FRUTO DA CRIATIVIDADE DO AUTOR, QUE NÃO ALEGA NENHUM DOM ESPIRITUTAL SOBRE ESSE TEXTO. De forma que se buscou não ultrapassar em nenhum momento as fronteiras da heresia ou qualquer outra coisa que possa ser danosa a Fé cristã. Tampouco exemplifica qualquer visão post mortem crida pelo autor, que confessa as verdades do cristianismo.

AMDG

Quando eu morri, fui levado por meu anjo da guarda a um lugar infinitamente grande, onde o céu e terra pareciam ser um só, da mesma cor, branco. A única coisa que se destacava era uma luz que parecia estar longe, muito longe. Eu já havia sentido a mesma coisa em algum momento da minha vida que não me lembro exatamente qual.

Não demora muito chega Santa Isabel, Rainha de Portugal. O anjo entrega para ela uma folha; falando o que estava escrevendo “sempre trabalhou na igreja a mim dedicada, suas preces se voltavam para mim quando algum problema o atormentava e desejava que fosse transformado em flores. Fui testemunha da alegria da celebração dos sacramentos e da tristeza da penitência. Houve, contudo, algumas vezes que suas funções eram salpicadas com um resíduo de má vontade”. Indicou-me o caminho a seguir; enquanto andávamos em direção a luz, falava sobre como foi deixar a riqueza do castelo para viver num convento. E também ia me apresentando seus amigos. Nossos amigos.

O primeiro a ser cumprimentado foi São Sebastião. Sta Isabel entregou a ele a folha, onde escreveu “embora houvesse uma igreja a mim dedicada próxima a sua residência, frequentava uma igreja mais longe – sem nenhum problema a sua piedade – ao contrário, ficava feliz ao ver uma pessoa encontrar sua casa. Não deixava de cumprir os preceitos nos dias e solenidades a mim festejados”. Devolveu a folha e colocamo-nos a andar novamente.

Mais a frente encontramos São Francisco Xavier, na folha ele escreveu “Lembro-me de como achava a minha paróquia suntuosa, demorou para perceber que a verdadeira beleza da casa de Deus é a mesma da mais rica basílica a mais simples capela. Pedia minha ajuda nos estudos, cumprindo nas Santas Missas as promessas que fizera para conseguir seus diplomas no CEFET. Eu nunca entendi, nem ele, a piedade que tinha por mim”. Nesse momento eu pensei que nunca havia realmente entendi o que significa Piedade. O anjo riu para mim.

Em nosso encontro veio Santo Inácio de Loyola, “sempre teve atração pela Companhia de Jesus, suas tradições, seus métodos e exercícios espirituais. Minha história quis ter por sua, até aprender que cada um tem sua história, cada um tem sua piedade, como é dito na Oração Eucarística da missa ‘a fé que só o Senhor conhece”.

São Judas Tadeu veio até nós “corroboro nos pedidos de estudo. Sempre pedia disposição para estudar, mas deixava todos os estudos  para última hora; graças que tinha boa memória”.

Parei um pouco para observar ao redor. A luz que outrora parecia noutro planeta, um simples ponto de estrela, agora estava mais forte. Sinal que estávamos chegando perto.

Logo em seguida vimos São José, São Joaquim e Santa Ana. Conversamos sobre família, amizades, planos idealizados e jamais cumpridos, perseverança. Por fim escreveram “ele buscou honrar pai e mãe, devolver aquilo que eles haviam lhe dado e confiado. Custou a aprender que a devolução era consequência do amor mútuo, e não precisava de bens materiais para isso”.

Caminhamos mais algum tempo, na verdade a palavra tempo não faz muito sentido pois não havia nada que pudesse ser referenciado como zero segundo.

Por fim chegamos a luz. Era na verdade um farol, com uma chama acessa eternamente. Que apontava o caminho correto para o que veria um tantinho mais a frente.

Erguiam-se frente aos meus olhos uma muralha imponente, que era capaz de tocar o céu. Era firme, dava total segurança a seus habitantes. Busquei algum brasão que pudesse identificá-la, e mesmo que o tivesse achado meus conhecimentos em heráldica nunca foram muito bons.

Na portaria da parede estava São Pedro. Não havia chaves, de fato nem sequer havia portões. Explicou-me que a Palavra do Senhor que sustenta Céu e Terra também sustenta a ordem das coisas. Falamos sobre a dificuldade de viver entre os mesmos, sobre traição e lealdade, sobre poder e autoridade. “A cada Ave-Maria e Pai-Nosso que você fazia subir a mim pedindo proteção ao papa e a Igreja eu fazia descer outros 50 para você, afinal Deus não precisa me dar forças para defender ou propagar o Evangelho, você precisava. A Igreja militante precisa”.

Do outro lado do portão havia um crucifixo, perguntei o porquê, “é para lembrar aqueles que passam por esta porta que o convite já foi pago, a presença da estola na cruz indica que aqui sempre temos a alegria da Páscoa de Cristo”.

Caminhamos para uma sala no lado externo da muralha, onde não demora a entrar São Miguel. Sta Isabel entrega-lhe a folha e sai da sala, dizendo que estará rezando por mim pela última vez. O arcanjo escreve “sempre disposto a batalha, com respeito a hierarquia das ordens se esforçou a ser bom soldado da milícia cristã, e como todo soldado teve medo em algumas batalhas”.

Por fim, entra na sala Maria Santíssima. Levanto-me. Quase num impulso abraço minha mãe; e me pergunto mentalmente porque eu agi no jardim do Céu como se conhecesse todos os santos como amigos íntimos, como se os visse todos os dias.

Ela olha a folha serenamente e com uma calma sem igual diz “não tenho nada mais a acrescentar, suas orações a todos os santos você também dirigia a mim, e todas escutei e por todas pedi que a Providência fizesse o que fosse melhor para você; quando o medo apertava e você se sentia longe de meu Filho, me chamava para por-lhe novamente em um lugar digno. Sei que tentou em sua vida, com esforço, dificuldade, medo, erros e acertos, fraqueza, problemas e tudo mais, fazer ser verdadeira a frase que eu falei a meu Filho há tanto tempo ‘fazei tudo que Ele mandar’. Sua alegria nas festas em minha homenagem era legítima, sabia de sua ansiedade e felicidade a cada oito de dezembro, bem como no quatro de julho, que você dizia ser as ‘santas queridas do meu coração’. Não tenho mais o que escrever aqui”.

Fecha a folha num envelope timbrado com doze estrelas e lacra-o. Entrega a São Miguel, que some – agora há somente o Cordeiro por mim.

Maria sai pela porta e pergunto “Senhora, onde está indo?”.

“Estarei rezando por você. Pela última vez”.

Omnes Sancti et Sanctæ Dei. Orate pro nobis.

A morte perpetua. Libera nos, Domine.

Peccatóres. Te rogamus, audi nos.

Agnus Dei, qui tollis peccáta mundi. Exáudi nos, Dómine.

Agnus Dei, qui tollis peccáta mundi. Miserére nobis.

Agnus Dei, qui tollis peccáta mundi. Christe, exáudi nos.

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Hoje é dia da Padroeira


Seria impossível que uma pequena imagem, pequena mesmo, se tornasse símbolo da Fé de um povo tão grande, grande mesmo, se não fosse enviada por Deus.

Sem dúvidas hoje não é Páscoa (nada se compara), mas a alegria é enorme, enorme mesmo.

Essa é imagem original achada pelos humildes pescadores no rio.

Essa é imagem original achada pelos humildes pescadores no rio, exposta na Basílica Nacional em Aparecida do Norte.

Viva Maria, mãe de Deus e nossa‼ Viva Maria, mãe da Igreja‼

A Tradição cristã está tão profundamente enraizada no país do povo-de-pele-morena que os símbolos que representavam somente a Santa Igreja passam a ser símbolos nacionais. De forma proveitosa e danosa (infelizmente nem tudo tem somente lado bom) a Tradição misturou-se ao povo, sustenta-o, mostra seu passado e auxilia a determinar seu futuro. Isso sem dúvidas é bom, afinal nossa catequese iniciou-se séculos atrás com o beato José de Anchieta. O lado meio chato é a mistura não bem conduzida com outras religiões, com política ou com uma visão distorcida dos preceitos religiosos.

Um exemplo que reflete que somos indiscutivelmente um povo da Cruz é o outro Comemorado no dia 12 de outubro: o Cristo Redentor. Idealizado, financiado, construído e abençoado pelos fiéis católicos, hoje o Cristo não tem somente a simbologia cristã da redenção; seus braços abertos conduzem um abraço àqueles que chegam na cidade de São Sebastião. O Cristo Redentor expõe de forma muito sutil os mistérios cristãos e cariocas, expõe que o fim da crucificação é a ressurreição.

“de braços abertos sobre a Guanabara”

Mãe e Filho, com o Pai e o Espírito, fazem descer do Céu ao povo da terra brasilis as bençãos necessárias para que, apesar dos desagravos cotidianos, continuemos a ser um povo feliz, com “paz constante e prosperidade completa”, num lugar “abençoado por Deus e bonito por natureza”.

Salve Regina.