Domingo inatingível


Domingo termina com um engavetamento, 3 carros se aglutinando em frente a minha janela. Ao acaso passa um carro da polícia, claramente queria ir assistir Faustão, mas o dever o chamou. Estressados algemam e prendem um senhorzinho.
No restaurante, almoçando no balcão do restaurante, longe do tumulto do salão, sai a cozinheira correndo, com uma mão segurando firmemente um pano tingido de vermelho. Havia acabado de se cortar. Ótimo para destruir uma segunda-feira que pedi filé de peixe, arroz e purê de batata.
Próxima sexta-feira começam os Jogos Olímpicos de Verão Rio 2016. Deus ajude que tudo fique bem.
Segui o dia.
Mil cairão a tua esquerda, tantos outros à direita: não fui atingido pela realidade de ninguém. Pude ficar em Paz com minha solidão.
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Escrevi isso em um domingo qualquer.
E os Jogos Olímpicos foram um sucesso retumbante graças a Deus. Nunca vi o Rio tão lindo.

eBooks são legais, mas e o cheiro?


Suponhamos um leitor que se desloca até uma livraria¹ no Centro para comprar o segundo livro de uma série infanto-juvenil. Nesse suposto ambiente, poderia pegar a linha 1 do metrô e depois a linha Deodoro de trem. Seriam uns 5 minutos debaixo da terra e outros 30 até sua casa. Tempo o bastante para ler uns 4 ou 5 capítulos.

 

Mas não. Esse leitor hipotético preferiu gastar esse tempo sobre trilhos para uma atividade muito mais prosaica, que por mais lúdica que fosse deveria ser privada (deveria?). Aquele prazer quase orgástico de destruir a proteção plástica e meter os dedos e o nariz onde nenhum homem jamais esteve. Cheiro de livro novo. Impagável. Uma tentação tão forte que não resisti e passei a maior parte do tempo tocando e cheirando o livro. Imagina os passageiros vendo a cena, mas divago.

 

Poderia ser pior. Poderia ser uma pessoa se esfregando num livro erótico. Enfim, independente do gênero literário, livro novo é um tesão. E abrir mão desse prazer é um tabu.

 

Estigma esse que enfrentei quando queria comprar o 3º livro e era sábado a tarde, livrarias estariam fechadas e queria algo um pouquinho melhor que lojas que vendem doces, livros e meia-calças. Comprei o ebook na Google Play com uma operação de crédito tão fria que cortou-me o coração. Ao final, ler no tablet não foi uma experiência tão ruim, mesmo sem cheiro de livro novo, embora esse hipotético leitor ainda não tenha sido tocado a comprar um leitor digital dedicado (foi em novembro de 2015²).

 

Lado positivo: poupar espaço nas minhas já saturadas estantes. Nem espaço no cartão SD esses livros digitais ocupam. Ficam na nuvem, seja lá onde isso for. Está tudo tão moderno, que o próximo passo em direção ao futuro de 1984 ou Admirável Mundo Novo é proibirem livros, afinal podem ocupar espaço dedicado ao trabalho na sua mente.

 

Como, felizmente, leio mais rápido que escrevo, corta para final de 2016, quando comprei meu Kindle.

 

Um mundo novo se abriu com um leitor dedicado para eBooks (também chamado de Kindle); embora o aplicativo de leitura do tablet fosse bem decente, uma tela e-ink é muito melhor. E os serviços são bem melhores também.

 

Ok, perde-se a magia do cheiro, da sensação de páginas virgens e tudo o mais, mas a praticidade supera em tanto que creio ser um caminho sem volta. Eu ainda compro livros em papel (o último foi O Senhor das Moscas, um baita livro), mas poder ler um livro de quinhentas e tantas páginas com uma mão não vale a pena? Poder ter uma minibiblioteca sempre na mochila não é válido? Ter dicionários, controles estatísticos, anotar sem destruir os livros são bons argumentos também. Em geral³, os preços são mais baixos que a versão em papel e há promoções de toda sorte para ganhar livros – o livro que estou lendo agora, Planeta dos Macacos, me saiu de graça!

Em alguns casos o preço é bem mais atraente.

 

Tenho lido muito mais (especialmente porque me juntei ao pessoal da Goodreads, aderi ao Desafio 2017, fiz planilhas etc etc). Mas então vou deixar de comprar livros? Não mesmo! Estou louco para poder ler as quase mil folhas que Zafón nos preparou em O Labirinto dos Espíritos.

 

E meio que sinto aquela sensação quando pego um livro novo. E é viciante.

 

Vicia como chocolate, que eventualmente pode te dar um livro de graça.

 

P.S.: Em tempo. Merece menção honrosa também os livros que compro nos sebos do Centro do Rio. Amo bater perna nos sebos da Praça Tiradentes!

¹ Livraria? Era uma loja de conveniências. Os livros estavam ao lado de doces…
² Cacete. Já tem isso tudo de tempo desde que li a Percy Jackson e sua trupe?
³ Muito em geral mesmo, pois já vi  a versão Kindle de um livro custar o dobro do preço da física (sic)

Verticalização


Não bastasse ter que aturar funk, agora temos funk com sotaque paulista.

Tempos difíceis que vivemos. Colocam escutas nos nossos cabos de comunicação, sofremos problemas na distribuição de energia elétrica, cada vez mais temos distúrbios relacionados a nossa postura frente ao PC… Precisamos otimizar e valorizar os minutos gastos em frente a tela & os dados que trafegam nos cabos ópticos.
Tempo para escrever um texto? Impossível. É preciso trabalhar, estudar, consumir mídia para ter material para pensar/ruminar/copiarse basear em/processar.
Eis que no carnaval (láááá de 2015, o rascunho desse texto é antigo), a música que estoura é um funk (sic) paulista (sic sic), cantado por uma mulher cujo corpo não vem das Gaiolas das Popozudas, mas é doce e pequeno e azul. Uma excelente música para desperdiçar tempo.
Eu não posso controlar o que trafega pelos cabos de rede – muito menos o que é sucesso nos trios elétricos de Salvador -, peço que ao menos seja um material bom, bonito e com curvas. Nem debato a qualidade artística da coisa, vamos focar apenas na técnica, afinal já tem muito mais besteira cultural circulando por ai do que qualquer um poderia analisar.
Temos um clipe duma cidadã que canta uma canção baseada na história da chapeuzinho vermelho (ou branca de neve, sei lá) ao ritmo de funk (e o lenhador é pintoso, e as damas são gostosas e a bruxa má é ainda mais), que é bem feito até (tem uma produtora que anda fazendo uns clipes bem profissionaizinhos por ai).
Bruxa má do clipe Parara Tibum

Bruxa má do clipe Parara Tibum. Muita má.

Mas não posso esperar que a digníssima cantora em uma produção caseira consiga fazer uma gravação básica corretamente. Grava na vertical! Ok que ela tem um corpo esquio, mas nada nesse mundo justifica gravar na vertical.
Ilustre cantora rebola, enquanto se grava na vertical.

Ilustre cantora rebola, enquanto se grava na vertical.

Coitada das fibras, lotadas de Restarts, de toda sorte de problemas, de conteúdo da pior qualidade possível, de blogs pessoais … ainda devem transportar vídeos filmados na vertical.
Grande parte dos vídeos são gravados na vertical, mas oras, nossos olhos são na horizontal. Mas OK, essa pessoas sofrem de VVS. Essas pessoas precisam de ajuda.
**–
Tudo isto posto, digo que meu funk preferido continua sendo Valeska Popozuda cantada por Teresa Cristina em pleno Cordão do Boitatá 2015. Sim, tem vídeo. Sim, gravado na horizontal.
P.S.: a gloriosa música Parara Tibum, representativa da mais fina cultura brasileira, foi proibida de tocar por problemas de direitos autorais, é plágio.
P.S.2: Mc Tati Zaqui pôs silicone. Continua sendo esquia.

Alguns casos IV


Gozou. Virou para o lado. Dormiu.

Ele.

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Morria de medo de voar. Resolveu nadar. Caiu nas fossa das Marianas.

Morreu sem medo.

**–

Gozou. Virou para o lado. Dormiu.

Ela.

**–

Estava apertado para ir ao banheiro, mas não tinha papel. Para não se sujar, calou-se.

**–

Leu:

ATENÇÃO!

Com Desnível.

Perigo não ultrapasse!

Pensou: Alguém faltou as aulas de pontuação.

**–

Ela se cansou da vida e da política. Virou um tucano vermelho com asas de pomba que segue o sol pelo Firmamento.

Foi cassada. Foi caçada.

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Depois de nove meses nenhum deles dormiu mais.

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Se quiser ver os outros textos da série (dica: não veja).

https://leandro931.wordpress.com/?s=alguns+casos&submit=Pesquisa

Alguns casos III


Era pobre, mas tinha grande ambições – e amava vinhos. seu sonho era ter uma carta repleta de bons títulos. Tornou-se dono de uma adega de garrafas vazias.

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Evitava entrar em discussões cujos tópicos não dominava muito bem; não dominava muitos tópicos; morreu mudo.

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Tinha lá seus 20 anos. Notou que nasceram pelos em peito. De súbito, sonhou que ainda poderia ter chances de ganhar visão de raio-X.

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Joana nunca tinha visto uma joaninha, somente nos livros e na TV, e isso a deixava muito triste, muito mesmo. Até que um dia, no meio da guerra, ela viu uma! Espremeu com um pedaço de pau o inseto bem devagarzinho, para escutar o crack. Deleitou-se.

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Era bom moço, temia o fogo e o frio, porém não conseguia parar de rir da palavra papamóvel. Em inglês, ainda mais, pope mobile.

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E quando ganhou sua tão sonhada visão de raio-X, que lhe permitia olhar as nádegas e dobras de todas as mulheres, matou-se. Não aguentou saber todos os segredos e mistérios que permeia o(s) Cosmo(s).

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Logo ele, que era soberano em sua infelicidade, resolveu comprar uma bicicleta.

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Mais um e mais dois.

Vida can be


A vida é engraçada, or maybe just weird. Life can be very fast, como um suspiro. E um pouco sem sentido e mal formatada, just like this text.

We face a simple and unique duality in life: viver e morrer. Nada mais é acrescentado nesta equação. That simple, champs.

Você vive sua vida, go through High School and College and die e morre. Why?

Eat something you find.                                       Come algo que acha,

Eat something that kills.                                      como algo que mata.

Life is just too damn short to waste your precious resources reading this blog. Não gaste seu tempo, gaste milhas.

Farofa é muito gostosa, mesmo quando tem veneno para rato.

Rats are ugly even if they eat toasted cassava flour.

Still alive? Try to survive.

Ainda com fome? Use o telefone.

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Foi aqui que pediram uma pizza?

Here you go, champs.

De estudante Para D. Pedro II


de: estudante@futuro.brasil

para: pedroii@imperador.brasil

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Saudações, Vossa Majestadade e defensor perpétuo do Brasil,

quem se atreve a lhe incomodar é um súdito da Província da Corte, da Capital Imperial o Rio de Janeiro. Eu escrevo esse email para queixar-me a ti de alguns problemas que ocorrem 123 após o golpe de estado que lhe roubou a Coroa.

Primeiro começo com as queixas sobre o Rio. Desde que resolveram tirar a Capital do litoral e pô-la no planalto central, nossa cidade sofreu um esvaziamento terrível. Eu devo dizer que desde 2007 grandes eventos têm ocorrido, e em função deles estão dando mais atenção e carinho. Mas o problema é que por muito tempo deixaram a Cidade Maravilhosa a sua sorte, dai muitos problemas cresceram e outros vieram.

Exemplifico. A Quinta da Boa Vista, sua casa, virou um museu que por anos ficou sem cuidados, a faixada caiu e mudaram de cor. Sabe os cortiços formados pelos pobres que voltaram da guerra? Então, viraram coisas ainda mais desumadas, chamadas favelas; e elas infelizmente se espalharam por muitos dos lindos morros do Rio. Com isso aumentou a violência, consumo de drogas etc etc. Recentemente, só muito recentemente, o governo começou a tentar mudar o quadro.

Com muito pesar, poderia dar muitos outros exemplos de coisas ruins e tristes que aqui ocorrem. Não me prendo em falar as boas porque para isso tem a televisão e os jornais. Eles só publicam coisas boas.

O Brasil mudou muito. O país como um todo mudou muito mais que nossa cidade, e mudou para melhor, muito embora gritantes assimetrias ainda existam.

O Estado não tem mais religião ofical, a Língua Portuguesa continua sendo o idioma oficial, nossas fronteiras são mais ou menos as mesmas. A pobreza tem diminuído, nossa economia cresce e se diversifica (Visconde de Mauá ficaria feliz), o Brasil começa – finalmente – a se projetar como um potência. Nossa nação ficou muito mais complexa que era nos tempos do Império, o que exige mais dos eleitores e governantes.

Seu Exército e sua Armada, grandes vitoriosos nas guerras em defesa pela nossa nação, foram sucateados (resolveram criar outro ramo, a Força Aérea, depois eu explico como funciona). Nossa produção cultural, embora ainda muito boa, é dia após dia contaminada por “arte-instantânea-importada”. O senhor, como grande admirador das Belas Artes, ficaria muito triste como a arte é feita/embalada/vendida/marqueteada. Eu disse que as notícias boas a imprensa dá conta, nem tanto nem tanto. Há muitas coisas boas sem anúncio, como a Escola de Artes do Parque Lage (localizada no lado sul do seu amado e querido Maciço da Tijuca), movimentos populares de replantio em montanhas da Zona Norte da cidade e outras iniciativas que seus súditos têm.

Os vizinhos continaum dando problemas. Na verdade, ao invés do Paraguai, agora o problema agora é Bolívia e Venezuela, no norte. Pelo sim pelo não, precisamos de mais duques de Caxias em nossas fileiras…

Infelizmente o mundo só reconhece o Brasil como uma país tropical, com belas selvas, praias e animais. Ignoram nossa cultura. Ignoram nossa Ciência, nosso passado de um grande Império. Do Rio, sabem todas as praias, mas não sabem sequer uma grã-Academia, o Municipal, o CBPF, uma igreja. Isso me deixa triste.

De resto é isso. Gostaria e agradeceria bastante se Vossa Majestade pudesse mais uma vez ajudar esse país, essa grande nação grande. Que seus pavilhões e gestos possam ser lembrados em Brasília (a nova capital) como exemplos de um grande governante. E é isso que o País precisa: um grande estadista!

Precisamos novamente de um Pedro. Seja I para bradar a liberdade, seja II para desenvolver!!!

Atenciosamente,

Leandro Santos, um modesto súdito estudante de nível superior, provinciano da Corte, dos subúrbios da EF dom Pedro II.

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Obrigado Elio Gaspari pelo formato do texto.