7 de Setembro

Do Ipiranga é preciso que o brado

Seja um grito soberbo de fé!

O Brasil já surgiu libertado,

Sobre as púrpuras régias de pé.

Eia, pois, brasileiros avante!

Verdes louros colhamos louçãos!

Seja o nosso País triunfante,

Livre terra de livres irmãos!

Assumamos que o Brasil, como hoje o conhecemos, tenha surgido quando a Família Real chegou em 1808 (14 anos antes da Independência). Nós, que até então éramos colônia, fomos elevados a Reino Unido – modernização e criação de Instituições, lançamento das bases do que seria o Império e depois a República. Do Brasil. Brasileira.

Não se é negar a presença dos índios ou diminuir a maciça presença africana, mas o Brasil tem muito mais de Portugal e da Europa. E isso gera algumas distorções em nossa sociedade. No dia 7 de setembro de 1822 aconteceu uma dessas. O resto é história.

À distorção que me referia. Num lugar onde a independência foi marcada por guerras, revoltas e criação de mártires, o Brasil – graças a Deus – foi uma ilha de tranquilidade (apesar de um ou outro farroupilha querer se vestir de rei). Também foi uma ilha de prosperidade no segundo reinado. Não a toa o Brasil se encontra na liderança da América Latina. Mas se pagou um preço por tudo isso: as margens do Ipiranga ouviram o brado retumbante dos interesses da elite, não da nação. Exemplo simples, embora “potência” não nos destacamos (como seria interesse do Estado), pois o interesse da elite gerente do Governo é divergente.

Se o penhor dessa igualdade

Conseguimos conquistar com braço forte,

Em teu seio, ô liberdade

Desafia o nosso peito a própria morte

Ô Pátria amada, idolatrada, salve salve!

És belo, és forte, impávido colosso,

E o teu futuro espelha essa grandeza.

Nós não devemos nada a Simon Bolívar porque nossa separação dos portugueses deu-se por um, pasmem, português! Mas que fique claro, cristalino, o processo foi inteiramente legítimo.

Bandeira do ImpérioBandeira da República

Muito mais que identidade com cores, precisa-se identidade de valores.

Em 1822 os índios já eram carta fora, só sobraram os negros africanos e os brasileiros morenos. Brasileiros?! Os negros estavam preocupados com sua liberdade. Liberdade legitimada por decreto imperial.

Nós nem cremos que escravos outrora
Tenham havido em tão nobre País…

Abolição da escravidão foi em 1888, o texto acima foi em 1889 (Hino da República). Curiosas palavras, timing curioso…

Um tanto depois vem a República, implantada não por anseio popular, mas sim por golpe de estado da elite militar, primeira perda de legitimidade do Governo do jovem país. Passam-se os anos, vem o Estado Novo, mais democracia e outro golpe militar. A redemocratização, Diretas Já. Todos esses eventos têm algo em comum, nenhum foi popular, nenhum veio por anseio das classes baixas, nenhum foi senão a vontade do poder.

E muito sinceramente, não vejo maiores problemas. Qual país não ouve sua elite? O problema que nos atormenta é quando os interesses de Estado são contrariados e as Instituições da República são afrontadas, especialmente a Justiça. Acho meio burrice, afinal para que o Governo dê certo é preciso que o Estado também funcione.  Lembrando que lobby é pratica legal em muitos países.

**–

Acho plenamente errado culpar o processo de colonização pelo ‘subdesenvolvimento’, afinal, ‘tem culpa Cabral?’

Sou morador da cidade que foi capital da Colônia, do Reino Unido de Brasil e Portugal, do Império do Brasil. Foi também capital da República até 1960. Quando o Governo Federal foi aos planaltos centrais, a cidade foi esvaziada, um caos imperou sobre o estado da Guanabara. Devo só culpar Juscelino Kubitschek ou simplesmente analisar as circunstâncias e trabalhar para consertá-las? Devo lamentar inutilmente aos céus pelo ouro levado das minas gerais ou explorar e vender o nióbio? Estou bastante certo que essa Terra teve muitas outras oportunidades de ser uma potência depois que o ouro acabou; se não aproveitamos com certeza a culpa não é de Sua Majestade, o Rei de Portugal, Dom Manuel I, o venturoso¹.

15 de Novembro

Embora eu tenha Sua Majestade Dom Pedro II como o melhor governante que terras brasilis já teve, eu não sou monarquista. Mas afirmo que a data da Independência é maior e mais importante que a da Proclamação da República (ou qualquer outra festa nacional que marque a política). Minha justifica é simples. É preciso ser livre para se escolher a forma/sistema de Governo. É preciso ser livre para termos nossa política, mesmo que seja a atual. É preciso ser livre para dizer que “do universo entre as nações, resplandece a do Brasil”.

**–

Brasileiros têm uma história de glória. Tornamo-nos independentes sob as rédeas de um Imperador; nosso território mantem-se unido ao longo dos anos sem guerras apesar de toda diversidade cultural e social; mesmo com todo coronelismo nossa democracia é extremamente sólida, exemplo mundial; nossa economia é grande, não tanto maquiada e próspera; nossa população é pacífica.

Brasileiros só precisam deixar de ser cidadãos do país do futuro. Acabar de vez com o “complexo de vira-latas”. Sejamos arrogantes ao falar de nosso país, abençoado por Deus e bonito por natureza. Sejamos audaciosos em nossos projetos e construções.

E por fim, essa estrofe diz bem o Brasil. Diz bem o porquê ainda aguentamos tudo que nos ocorre, que nos roubam e a que nos submetem.

Não temais ímpias falanges,

Que apresentam face hostil;

Vossos peitos, vossos braços

São muralhas do Brasil.

Nós somos as muralhas, os pilares, as fundações, a argamassa, as fortalezas, o motor, o rumo. Nós, os brasileiros, somos o Brasil, e o que nele há de melhor e de pior.

¹ Rei de Portugal aquando a descoberta do Brasil.

**–

Atualização do texto de 7 de setembro de 2005.

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Um pensamento sobre “7 de Setembro

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