Juramentos, despedidas e demais coisas

Juramento

I

Eu terminei meus estudos básicos – conforme obriga a legislação brasileira – no glorioso Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (comemorado nesse blog), que é uma Instituição cuja história remonta há 100 anos no passado dessa República. A conclusão desse ciclo foi feita solenemente no auditório principal diante de uma multidão de parentes, amigos e (des)conhecidos, também estava presente o Diretor-Geral, o representante legítimo do Estado brasileiro. Naquela noite, eu e demais formandos fizemos um jurameto: aplicar todo conhecimento adquirido para o bem, devolver à Nação cada fração do investimento, respeitar e defender a Constituição brasileira e demais leis, enfim, “elevar o Brasil ao seu justo lugar entre as nações”. Naquele dia, eu empenhei minha palavra, tendo como testemunha todo esse elenco, e pela minha honra devo cumpri-la, apesar dos pesares.

II

Conforme recomenda a Tradição, ao atingir a idade mínima eu entrei para o curso de Crisma. Após o periodo de estudo e preparação, eu estava apto para afirmar perante toda Igreja, que é uma Instituição cuja história remonta há 2000 anos no passado da espécie humana e sempre presente nesse país. Esse rito de confirmação da Fé foi professado solenemente na minha paróquia de origem, completamente cheia, diante de parentes, amigos, (des)conhecidos e do bispo, representante legítimo do Magistério da Santa Igreja Católica. Naquela alegre celebração, eu e demais crismandos fizemos um juramento: nortear todo nosso entendimento para o bem, respeitar, defender e propagar o Evangelho e todo ensinamento da Igreja, enfim, realizar todas as coisas “para a maior Glória de Deus”. Naquele dia, eu empenhei minha palavra, tendo como testemunha todo esse elenco, e pela minha honra devo cumpri-la, apesar dos pesares.

Despedida

Embarco para o país que sempre amei, país cuja história sempre estudei. Vou ao país da cerveja e tenho fígado fraco; ao país tetracampeão e nada sei de futebol; ao país dos brancos e sou moreno; ao país das batatas, mas só gosto delas à francesa.

Com tantas razões para não ir, com os favores de Deus eu irei. Talvez o maior dos medos seja colocar meu sonho à prova da realidade. À prova da fria realidade alemã.

Estando eu numa terra estrangeira, acho dificil manter esse blog face a tantos desafios que se me erguerão. Blog que já sofre com a sazonalidade desse autor. Não o abandonarei (até porque será o mais forte laço com a língua de Machado que terei nos proximos meses), mas sofrerá ainda mais com a sazonalidade. Me desculpem, leitores.

Dizem que o homem busca a redenção na hora da morte. Busquei redimir-me antes de esticar as canelas. Ficar tanto tempo longe poderia ser ruim. Digo, leitores, que é ruim buscar amar todo amor em poucas semanas; abraçar todos os abraços; olhar todos os olhares; pedir perdão por todos os erros. Segurar em todas as mãos. Fiar cada amizade. Enfim, ser um homem melhor.

Cada uma das coisas que citei, sugiro a vós, leitores, que não deixem para a última hora, ora. Nunca se sabe quando você entrará num avião ou irá para Avalon.

Acho que a melhor coisa que as partes podem fazer numa despedida é manter a fidelidade. Semper fidelis. A Igreja sei que será fiel. Espero o mesmo da República e das pessoas. Eu buscarei sê-lo.

**–

Eu sou uma pessoa muito rica em viagens. Já estive em Istambul, Sarajevo, Osaka. Já estive por quase toda Europa, Estados Unidos, Colombia, Peru. E o mais interessante dessas viagens é que visitei esses lugares em diferentes épocas. Minha cidade, por exemplo, eu visitei quando o Império nasceu e se fortaleceu, quando o Império caiu, quando a República se instaurou, quando se mudou para os planaltos centrais dessa vastíssima Terra de Santa Cruz.

Eu estive junto aos portugueses que aqui desembarcaram e vi cada detalhe dos índios que aqui viviam; comemorei os 500 anos do descobrimento, o centário da independência. Chorei ao mandarem fechar as fábricas dessa colônia lusa, também chorei quandos os Jesuítas foram expulsos.

Todas essas viagens ocorreram num período muito especial de minha vida: minha juventude. Deram-se por livros, desenhos, filmes, estudos. Cada simples figura tornava-se o mais nobre brasão de armas na fertil imaginação da criança, que era muito bem alimentada por desenhos e historinhas. De todo não sou tão despreparado, mas por certo tenho menos coragem que os bravos descobridores de outrora.

Engraçado que, embora tudo esteja já previsto, a sensação é que entrarei numa caravela  buscando comprar cravo&canela nas Índias. Ideia simples e lucrativa, porém dificil de ser cumprida. De um erro, o Brasil foi descoberto e deu certo. E é exatamente assim que começo a erguer os pavilhões que me acompanharão: determinado a dar certo; e se algo der errado, dará ainda mais certo. Se for da vontade do Altíssimo.

Por essas e outras coisas, demos graças a Deus #AMDG

intercâmbio

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2 pensamentos sobre “Juramentos, despedidas e demais coisas

  1. Cara, boa viagem! Te desejo tudo de melhor! Absorva o maximo de tudo que você vai viver e aprender! Vou torcer por você! Espero que você volte de lá ainda mais completo em termos de cultura, conhecimento e visão!

    Grande abraço!

  2. Pingback: A mala em meu quarto « leandro931

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