Gozo momentâneo

Um simples prazer vulgar, vulgar usado no sentido de ordinário, ordinário usado no sentido de comum. Comum é cotidiano.

Cotidiano significa coisas do dia-a-dia, e cada ser humano tem um cotidiano diferente. São únicos, nunca se repetem e não há o risco de o cotidiano de um homem ser o cotidiano de outro homem noutro dia. Nunca.

(PS fora de lugar: Eu tenho dois cotidianos, a saber, o meu normal, explicado acima e um álbum de fotografias virtual)

O melhor filme do mundo para mim começa assim, a descrição de cenas do cotidiano sob a visão da protagonista. Enfiar a mão no saco de grãos, observar taças na mesa, quebrar coberturas de doces, falar em voz alta os preços do açougue etc. O que para mim pode ser idiota, para outrem pode ser o gozo dos gozos, ao menos naquele momento. Perde-se tempo demais buscando satisfazer os outros ou incomadá-los em seus prazeres ordinários. Nem uma coisa nem outra pode/deve ser feita, nem ajudar nem bisbilhotar: por excelência essa degustação é individual, seja sua produção seja seu consumo.

A motivação de escrever esse texto? Bem, #TODOSSABE que sou a favor do máximo respeito ao passado, a Tradição. Gosto de tecnologia; gosto tanto que não faço corte&costura; amo tecnologia. Contudo detesto aquelas que destruam o passado e seus vestígios. Tudo deve ser criado pensando no bem, comum ou individual.

Quando menor, meu inglês era mais deficitário (não que hoje eu seja C2) , tinha menos recursos, menos interações e/ou iterações sociais et cetera. Daquela época eu conservo um “hábito”, sempre que gostava de uma música (essencialmente a melodia, uma vez que não sabia inglês ou francês) guardava a canção tão seguramente quanto possível e a procurava até achar. Era uma tarefa difícil, árdua. E muito satisfatória ao final.

Hoje é mais fácil. Muito mais. Pego um pedaço da letra e jogo no Bing. Ou pergunto algum colega. Ou simplesmente saco meu telefone, que ‘escuta’ a música e rapidamente me dá todas as informações e ainda pergunta se quero comprá-la.

Simples? Simplíssimo veritas est.

Inverno

Nossos momentos são tão frágeis como as folhas das árvores; tudo muda ao sabor do vento e das estações.

Mas para onde foi o sabor da vitória de passar longos dias ou meses na busca da música? Foi para recycle bin. Somente eu sabia a sensação de vitória ao encontrar a resposta. Para você, estimado leitor, pode ser idiota mas não o é para mim. Conheci um ser humano que ficava bestificado ao ver vasos comunicantes, princípio para mim totalmente básico e inexpressivo. Se lembra do papo de “cada um tem seu saco de grãos para enfiar a mão”?

O ser humano gosta de, e precisa também, ser um bicho coletivo. Numa mesa de bar ou no estádio de futebol a massa se sente feliz, gosta de sentir o próximo. O povo brasileiro então nem se fala, sobretudo nesses tempos de Carnaval… E é igualmente indiscutível que nós também gostamos, e precisamos, de nossos momentos solitários.

Como esse post, essa vitória é sem sentido é simples é passageira é etérea é pessoal. Não há de se comparar com quando Júlio César marchou sobre Roma…

**–

Smiles. Essa é a música que me levou a escrever às 2h do dia 30/12/2011 o presente texto. É uma canção da britânica Lily Allen (quem é ela?!) que por si só me isentaria de entender a letra (ligeira aula de inglês da Rainha, lição única: substitua o ‘a’ o ‘u’ e o ‘e’ pelo ‘a’) que passou num intervalo do VH1.

É o gozo inoportuno do momento importuno!

Anúncios

2 pensamentos sobre “Gozo momentâneo

  1. Pingback: Aquela coisa | Leandro931

  2. Pingback: eBooks são legais, mas e o cheiro? | Leandro931

Discorde aqui

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s