Meu Ensino Médio no CEFET/RJ

Que momento mágico esse! Poucas pessoas nesse auditório sabem o que estamos sentindo… Desde que entramos sabíamos desse momento, mas é como se não acreditássemos, como se achássemos que nunca chegaria.O momento em que tudo pelo que sofremos, choramos, estudamos, ganha um sentido, uma razão de ser. O momento que parece ser o final, mas que na realidade é só o começo… Quando espertos veteranos da escola tornam-se imaturos calouros do que os espera fora dela!E o fim chegou, da escola, não de nossas amizades. Com certeza nunca nos esqueceremos do CEFET e dos laços de amor e amizade que fizemos. E fica o desejo de que o CEFET nunca se esqueça de nós e dos momentos que aqui vivemos.

Começo dizendo que não acharia justo intitular esse post de CEFET/RJ. Para tal, eu teria que olhar para trás e ver as pegadas dos últimos seis anos da minha vida. Mas são também esses seis anos que trazem justificativa para esse título. Passaram-se seis anos desde 2006, ano de ingresso nesse nível escolar. Pela lei, nós temos como limite máximo de tempo para concluir o dobro do período regular, ou seja, seis. De forma que as turmas que estão se formando agora seriam as últimas turmas nas quais alguém que entrou comigo na casa do Tio Celso poderia sair.

O trecho citado acima foi a conclusão do discurso da minha turma, 3EMED, na colação de grau em 2008. Nesse interim, 2006 a 2008, eu teria tanta coisa para contar mas tanta coisa que nunca conseguiria fazer esse texto chegar em 2008. Na verdade nem eu nem ninguém que um dia tenha tido a honra de ser um manga-azul.

Nesse ponto do texto eu fico com a dúvida do que escrever. Sobre as pessoas, sobre a Instituição, sobre o meu desenvolvimento como pessoa, sobre a qualidade da formação acadêmica, sobre os sonhos ou até mesmo sobre mim. Não vejo como, nem porquê, separar esses assuntos. Aconteciam de forma tão intensa, tão intrínseca, tão extensiva que vejo essa lembrança como uma poderosa bruma, que me envolve e me joga num passado feliz. Quando (re)entrei no CEFET como aluno de graduação eu nutri a esperança de que pudesse manter a gloriosa áurea de outrora. Grande decepção, mas isso é assunto para outra data.

As pessoas eram diferentes, a vida, a vivência, os objetivos, o nível de conhecimento … Foi muito triste ver cada canto daquele lugar onde vivi momentos alegres e felizes ser simplesmente um canto. Até eu me acostumar com essa nova visão do CEFET eu sofri bastante, sofria pela saudade – ainda hoje tenho umas recaídas confesso. Ver nos posteres as fotos de pessoas que eu conheci e vivi sempre me causa uma nostalgia, as vezes fortes as vezes fracas, afinal eu as conhecia pelo nome! Hoje são apenas esmeros de lembrança.

Agora eu sou mais forte, o CEFET me ensinou a ser forte, não sinto mais saudade que doi no peito. Eu sinto orgulho! Orgulho de cada momento, de cada coisa, do curso técnico, do uniforme! Acho que novamente eu posso falar por todos os mangas-azul, nós sentimos orgulho!

Nós celebramos triunfantes as derrotas da turma, as vitórias limitavam-se a churrascos, sobretudo no 3º ano. Cada turma a seu jeito, cada aluno a seu jeito, mas todos sempre com ar majestoso.

No primeiro ano eu era o típico nerd, notas boas, cara de criança, não dividia meu biscoito, isolado. Lembro com muitos detalhes algumas coisas, outras são só registros para formalidade.

Turma 1EMED.2006

Turma 1EMED.2006

No segundo ano. O Leandro morreu. Foi enterrado e jogaram cal por cima. Nesse ano eu vivi coisas tão intensas, passei por tantas transformações que não me lembro de quase nada. Deu overflow no meu cérebro. Relembro a matéria do técnico, uma apresentação assistida no SESC da Tijuca, fugas ao CCBB, problemas com pessoas novas que entraram na minha turma etc etc. Coisas bem pontuais. E isso tem uma justifica bem simples e óbvia: intimidade. Não éramos mais calouros amedrontados, já havíamos vivido um ano juntos, formamos um unidade tão boa que daria inveja ao Cesares! Subgrupos se formaram, deixando a falange ainda mais poderosa. No lugar do finado senhor Santos, nascia uma pessoa um pouco menos chata: o Leo. Engraçado que nessa altura, quase ninguém mais tinha nome. Só apelidos.

No terceiro ano. Somos estremecidos pelo ranger dos sinos do tempo. Está acabando. Mais um pouco, acabou.

Turma 3EMED.2008

Turma 3EMED.2008

Ao final das contas não sei mais o que escrever. Professores? Amigos? Amores? Desilusões? Sonhos? Conhecimento? Todos esses temas superam a capacidade desse que vos escreve em muitas unidades, além mais, leitores, uma lágrima sorrateira cai de meu olhos ao mesmo tempo que um sorriso se forma em minha boca. Nada mais me resta senão agradecer.

Para finalizar essa tentativa de expor os meus sentimentos e vivência naquele Centro, republico um texto de 2008 que postei no Orkut:

A idéia não é fazer um texto longo, é fazer um balanço sobre os três anos de CEFET/RJ, três anos vivendo com vocês. Talvez alguns não se lembrem, mas tudo começou naquele 6 de março de 2006, um dia que mudou minha vida pela inserção de várias pessoas, histórias e situações até então inimagináveis. Como não pode ser um texto longo resumo: o saldo foi positivo, tornou-se mais valorizado por ser inesperado, tornou-se absoluto por não ter comparação. Cada qual tomará a si o dia que mais viveu, a pessoa que mais conviveu, o momento que mais sofreu, a loucura que mais divertiu. Mas sempre este estará relacionado ao glorioso Centro de Excelência Tecnológica. Mas é chegado o fim; nosso descanso de tanto estudo agiganta-se a nossa frente e junto com ele a saudade que sentiremos de tudo. Infelizmente não há como separar este joio do trigo, mas somos a dita elite desse país, juntos saberemos como fazê-lo! Brindemos agora nosso descanso, nossas conquistas; brindemos acima de tudo nossas amizades que mesmo com esse brinde de fim de ano tornar-se-ão mais fortes. Brindemos nossa existência, a existência do próximo, a existência da dor e do sofrimento. Brindemos a nossa augusta capacidade de superar TUDO, afinal, nós somos mangas-azuis. Brindemos, pois, o fim.

Por essas e outra coisas, demos graças a Deus #AMDG

**–

Esse post não é só meu. É de todos aqueles que comigo estudaram no melhor colégio técnico da República. Por isso não peço comentários, peço histórias. Histórias que só um manga-azul pode ter vivido.

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3 pensamentos sobre “Meu Ensino Médio no CEFET/RJ

  1. Pingback: Meu Ensino Médio no CEFET/RJ « Bem-vindo / Welcome : Link Mundial

  2. Belo texto…
    O CEFET sempre será o CEFET, e sempre agradecerei a Deus por todos os momentos e pessoas especiais que ele trouxe para a minha vida. Você sabe que é uma delas.
    Obrigado pela lembrança da apresentação no SESC. Na verdade, foram duas, mas uma se destaca. Obrigado por tudo que você fez por mim naquela época e também antes disso, faz agora e fará no futuro. Você é um amigo para se manter.
    E nenhuma Alemanha nos deixará longe.

  3. Pingback: Juramentos, despedidas e demais coisas « leandro931

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