Transbordando de alegria pascal

Um texto numa oitava acima

“Alegrai-vos”

O tempo litúrgico que começa na Vígila na Noite Santa e se extende até o dia de Pentecostes é chamado de Tempo Pascal. É nesse tempo que as promessas de Cristo são mais claramente anunciadas a luz da Ressureição. A alegria da Vigília Pascal, quando finalmente cantamos o tão esperado aleluia, mais a solene procissão de Cristo vivo, onde anunciamos pelas ruas a vitória sobre a morte, mais a missa do domingo de Páscoa tornam a Sexta-feira da Paixão um triste e necessário marco no calendário. Algo que foi de veras muito importante, mas está no passado. A ressureição é futuro! E futuro é alegria!

Já estamos distantes do tempo pascal, significa então dizer que a alegria já não mais existe? Não! A alegria ainda existe e persiste.

Não vou me ater aos mistérios que tornam a alegria pascal tão mais sublime que qualquer coisa que me possa ser ofertada, não tenho inteligência para isso, muito menos sabedoria. Apenas sinto. Apenas creio.

Nas igrejas já não vemos os paramentos brancos nem a estola posta no crucifixo do altar (típicos do período pascal), contudo, ainda assim, a alegria está lá. É renovada em todas as missas: toda vez que nós nos reunimos em torno do altar, uma luz nos ilumina dando novo folego, revivemos a Páscoa. Sejamos luz. Por dois mil e dez anos desde a Encarnação, a fé católica revigora-se na mesma fonte: o próprio Senhor, seja na presença física, como no começo, seja na presença sacramental, como é em nossos tempos. A fonte da alegria é a mesma por 2000 anos. Qual tablet pode te deixar feliz por tanto tempo?

Como prometido, não quero (nem posso) fundear-me na parte teológica, apenas creio. E essa é parte santa da Igreja Católica, a presença de seu próprio fundador, o Filho do Deus vivo. Mas veja você, meu leitor, mesmo na outra parte, a não-santa, podemos viver essa alegria.

Seria melhor ter dito compartilhar essa alegria. Só quem vive em comunidade sabe do que eu estou falando, e olha que muitas vezes vemos nas paróquias coisas não muito não-cristãs (não por acaso acima eu disse ‘parte não-santa’ como eufemismo para ‘parte pecadora’, o que no final das contas é superado pela santidade da primeira parte).

Só quem está dentro sabe a imensa alegria vinda após um árduo trabalho. Só quem está dentro sabe como é bom se relacionar com outras pessoas que O sabem. Só quem está dentro sabe o verdadeiro princípio e fim de todas as coisas. A alegria nos preenche por completo. Eu amaria saber explicar o que sinto, por em caracteres ou gritar o que sinto; eu amaria dividir com vocês; entretanto, leitor, não é gritando nas ruas com uma bíblia nas mãos que conseguirei compartilhar com vocês essa alegria incomensurável. Pois se eu o fizesse[gritar], estaria ferindo os princípios dessa alegria: o silêncio, a calma, a escuta e por fim, a Paz. É a alegria que impele termos atitudes alegres – como cantar ou dançar -, não o contrário.

O relacionamento que tenho com os paroquianos é parte muito relevante na construção da alegria. Aqui um beijo para a minha amada paróquia, Santa Isabel Rainha de Portugal.

Quando se conhece essa alegria, mesmo que tenha sido breve como um suspiro, não mais se consegue viver sem perguntar-se como obté-la novamente. As igrejas reformadas – com consciência dessa alegria- mantiveram em suas liturgias e doutrinas sempre algo que permitisse ainda estar em comunhal (parcial) com a Igreja fundada pelo autor da alegria. Unidade e coerência também são princípios da alegria

E sendo coerentes, sabemos fazer nossos depósitos naquele que nos pagará com bons juros, aquele que no final dos tempos nos chamará pelo nome; juntos participaremos da ressureição. Daí urge a imensa beleza e necessidade do crucifixo, não se pode querer a parte alegre e eterna sem antes passar pela parte triste e finita. O crucifixo representa uma alegria sem fim, ou seja, um amor sem fim. Se lembra da ideia que não podemos ter o sentimento antes da ação? então, é preciso antes plantarmos para depois colhermos.

Por fim, não nos resta muita coisa a fazer senão viver. Viver conforme a Sabedoria do Evangelho, seguindo fielmente a Doutrina e enaltecendo/renovando a Tradição.

Leitor, feliz Páscoa! (lembre-se: não vive a Páscoa sozinho, brigado ou com raiva. Amai para alegrar-vos)

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Hoje, comemoramos liturgicamente o dia de São Pedro e São Paulo, as pedras da Igreja de Cristo.

São Pedro, tão traidor quanto Judas Iscariotes, aceitou o perdão divino e recebeu do próprio Filho de Deus a autoridade para legislar e governar a Igreja, que é a fidelíssima depositária dos dons divinos, bem como a missão de apascentar as ovelhas de Cristo. E hoje a autoridade das chaves é confiada a seu sucessor, o papa Bento XVI.

São Paulo, exemplo de ardor missionário, não feliz em ter Cristo só para si, quis levá-Lo a todos.

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Hoje, domingo, solenidade de São Pedro e São Paulo, é véspera da festa da querida padroeira de minha paróquia. Grande felicidade nos vem do alto pela simples lembrança da amada Santa Isabel. Ainda maior alegria é quando nos reunimos e por ela glorificamos Cristo.

Santa Isabel, rainha de um dos mais poderosos reinos europeus da época, encontrou seu prazer na esmola e na caridade; grande exemplo para nós – que por termos um mísero smarthphone perecível nos achamos superiores aos mais pobres.

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Os santos são aqueles que souberam viver conforme Deus desejou, e por isso já aqui na terra manisfetaram as graças de transbordar da mais pura alegria pascal. Louvado seja Deus nos seus santos e santas.

Rogai por nós.

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Eu não entendo muita coisa de teoria musical, mas aprendi assistindo um documentário da BBC sobre música sacra na Idade Média que quando os monges queriam dar um ar mais solene ao cantochão usado nos serviçoes religiosos, eles cantavam uma oitava acima. A diferença é incrivelmente bela.

Ainda em tempo, o ‘alegrai-vos’ foi tirado do Evangelho segundo São Matheus, capítulo 5 versiculo 12.

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