Fui ao mercado comprar café…

…mas nenhuma formiguinha subiu no meu pé. E mesmo que tivesse subido eu estava calçando tênis e não sentiria nada. Eu de fato tinha ido ao mercado comprar café, no sentido lato da coisa.

Esse post, acredito e espero eu, será menos ‘popular’ que o último cujo tema foi supermercado – aqui não narrarei nenhuma cena de uma dupla homossexual ofendendo um casal de idosos. Digo que aquela cena ainda hoje me dói a alma. Esse post tratará de outra forma de perjúrio social, outro sinal que demonstra claramente o nível o qual se encontra nossa tão desenvolvida e liberal sociedade: as revistas de fofoca, emagrecimento e entretenimento geral.

NOTA do autor: não quero sob nenhuma circunstância colocar-me acima da sociedade e dos problemas a ela relacionados. Cada qual tem contribuído – com seus defeitos e pecados e com suas cotas de problemas – para que nós nos encontremos onde estamos.

Voltando às nossas revistas, em frente a cada caixa têm totens com revistas com os mais diversos propósitos. Esse estratagema capitalista funciona! Acredito que capitalistas não tenham nenhuma noção de ética; imagine uma criança pedindo uma revista da Disney à mãe quando esta mal tem o dinheiro do leite… Contudo não vale dizer que o socialismo seria a solução, pois ai nem dinheiro do leite teria. Nem leite teria.

Essas revistas de entretenimento geral têm em suas capas SEMPRE a mesma temática: uma foto grande de alguma mulher famosa, bonita e rica, uma foto pequena de alguém obeso que virou um palito, receita de qualquer coisa que ninguém nunca ouviu ou viu, resumo das novelas e horóscopo. Por partes:

  • Mulher bonita faz a revista ser vendida tanto a homens quanto a mulheres, a essas por inveja e fofoca e aqueles por que, bem, somos homens…
  • Hoje em dia ter um corpo bom vale mais que ter uma mente sã. Academias ocupam o espaço que costumava ser destinado a Deus e aos serviços religiosos. Dietas milagrosas são pretexto para mulheres desesperadas darem lucro a essas editoras, isso porque nada pode ficar entre você e o seu corpo para o verão, nem Deus nem uns gramas extra de gordura nem a felicidade de ficar um tempo em Paz, sozinho ou em família, nem nada. Viva o corpo perfeito! Viva a dieta dos líquidos, do gás, do plasma, viva a dieta da macumba, da lua, de vênus, do sol, viva a morte da sua personalidade – afinal você tem quer ser igual a atriz linda e gostosa com sei lá quantos anos a menos que você.
  • Receitas com nome em francês, ingredientes russos e decoração turca. Você, estimado leitor, não sabe nenhuma dessas línguas, não conhece nenhum desses países e não tem dinheiro para comprar sequer salmão argentino – mas compra a revista, decora os nomes e tira onda com suas amigas. Francamente…
  • Novelas, desde que não seja viciado nelas, tudo bem. Não vale achar que atores mexicanos valem gritos histéricos e pôsteres no quarto; pessoas acima de 60 anos passam a margem desse assunto.
  • Se você acredita em horóscopo saiba que você é mais idiota que quem acredita no sistema de Ptolomeu (universo geocêntrico), afinal desde tempos imemoriais as 13 (treze) constelações zodiacais são conhecidas, e elas não influenciam sua personalidade. Dizer que fulano é assim porque seu signo é assado é pura coincidência, em meio a seis bilhões (6.000.000.000) de pessoas um capricorniano ser chato não me espanta. Eu ri muito quando essas pessoas descobriram (sic) a existência de Serpentário (“Oh céus, meu signo mudou, terei de mudar de personalidade”). Já o modelo heliocêntrico só foi comprovado por Copérnico, muitos séculos depois dos gregos.

Foi uma rápida e inacabada reflexão sobre esses temas e outros que tive enquanto esperara ser chamado pela gentil atendente. Próxima vez eu só olharei a revista de informática, dá menos trabalho.

Mas essas revistas vendem muito bem, obrigado. Caminhamos para um abismo. Ao menos caminhamos com corpos esbeltos!

**–

Eu não fui ao mercado só para comprar café, também fui comprar “mistura à base de amido de milho sabor baunilha”, vulgo mingau Cremogema. Sim, leitores, fiquem perplexos, eu ainda como mingau. Não, leitores, não sou criança.

A única rima com mingau que me vem a mente não pode ser publicada, pois isso é um blog de família. Se eu falasse “sacudi sacudi sacudi sacudi” o que me meio a mente, o deputado federal Bolsonaro me chamaria de promíscuo.

**–

(Leandro pensa:

Detesto andar sozinho em mercado, sempre me perco. Sempre espero encontrar comida na sessão de pneus.

Ah, desisto de rodar feito peru, percorri todos os corredores duas vezes e não achei mingau. Vou perguntar para o próximo funcionário).

Vejo um funcionário grande, com cara de mau e de poucos amigos, insatisfeito por trabalhar no feriado.

– Com licença, senhor, onde acho Cremogena?

– Naquela fileira. – aponta o gentil armário, não antes de dar um riso de deboche.

– Obrigado.

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