“Bendigamos ao Senhor” “Demos graças a Deus”

Me lembro que vovó, já seriamente abatida pela doença, sempre tinha a mesma resposta quando perguntávamos como estava, sempre respondia “estou bem graças a Deus”. Não estava bem, mas tinha a tranquilidade de encarar a doença de forma tal que somente com Deus podia estar bem.

Ocorreu-me de escrever sobre isso porque hoje me lembrei do que minha outra avó me dizia quando eu elogiava sua comida – “Ah, meu filho, graças a Deus ficou bom” -, hoje não mais cozinha porém ainda diz “graças”, apesar dos pesares da idade.

E eu fiquei refletindo sobre o que nós, seres-do-século-vinte-e-um-que-tudo-podemos-que-tudo-temos, fazemos quando obtemos sucesso em alguma (des)aventura. Novamente bato na tecla da família, primeira catequese que temos, porém isso é outro assunto. Por depois, lembro sobre o relacionamento nosso com o Cara lá de cima. De uma forma ou de outra, (quase) todos nós temos uma crença, monoteísta, que existe Alguém do Bem ao nosso lado. Costumamos creditar a Ele as coisas que ocorrem em nossas vidas, boas e ruins. Agradecemos as boas e só falamos com Ele quando as ruins aparecem. Mas nem pensar em discutir aqui sua relação com Deus (lembro que o ser humano tem 4 relações, todas têm que estar bem para o todo estar bem: com Deus, com o meio, com os outros e consigo mesmo).

Disserto sobre a capacidade de agradecer, as coisas boas e ruins, no seu dia-a-dia. Este que vos escreve crê que tudo tem um propósito maior, tão maior que somos incapazes de prevê-los. Agradecer por poder participar desses mistérios.

Não se trata de reduzir, não se trata de ‘culpar’ Deus por isso ou aquilo e depois você  ficar com os louros. Temos nossas responsabilidades e deveres; afinal sempre haverá mais de um caminho entre dois pontos. Devemos, pois, deixar-nos levar pela Divina Providência.

Agradeço, sim, por estudar, por passar numa simples matéria, por andar em segurança. Agradeço, sim, pela saúde, pela família, pelo Amor. Agradeço, sim, por tudo que tenho, mesmo que não seja o bem-material mais cobiçado da hora (com o tempo vamos aprendendo que o valor está nas coisas que não passam). Agradeço, sim, pela Mãe Igreja. Por essas e tantas outras coisas, humildemente eu falo Graças a Deus.

Santo Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus, deu por lema aos Jesuítas o seguinte: AMDG, Ad Maiorem Dei Gloriam, Para a Maior Glória de Deus. É simples. Se nossas atividades cotidianas, ordinárias e extraordinárias, forem feitas visando a glória de Deus o trabalho será bom¹, e por esta obra darás graças a Deus.

Na doença minha vó dava graças. Na saúde o que nós fazemos? Não me lembro de momento que minha avó tenha blasfemado contra os Céus por seu sofrimento, contudo dava Graças ao bom Deus, que é Pai e Filho e Espírito Santo.

**–

¹Bom. Este que vos escreve tem por uma das mais básicas lições de catequese o seguinte: a Trindade nunca usou os adjetivos ‘sensacional’ ou ‘excelente’ ou coisas do tipo para aquilo que faz. Do simbolismo da criação do mundo, usou-se ‘bom’; para criação do homem, ‘muito bom’. Bom é uma palavra completa, não cria expectativas frustradas, é repleta.

P.S.: O título do post é o que o padre fala na sacristia quando a missa termina “Bendigamos ao Senhor”, a outra parte é a resposta daqueles que estiveram servindo ao altar “Demos graças a Deus”

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2 pensamentos sobre ““Bendigamos ao Senhor” “Demos graças a Deus”

  1. O propósito realmente é muito maior. Quando você pensa que está entendendo tudo que acontecia, é surpreendido. Mas eu me sinto mais seguro assim, sabia?

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