Tudo passa

Beleza e transitoriedade. São palavras sinônimas? Certa vez escrevi sobre função social da beleza (http://bit.ly/Escritos, ‘Beleza Natural’), essa beleza era interna e eventualmente podia se manifestar externamente. Era eterna, pois era interna. Quem leu o texto sabe que as ‘gostosas’ têm prazo de validade muito curto. Mas não, esse não é um texto para conclamar aspectos filosóficos, existenciais e , talvez, religiosos.

Então por que raios eu escrevo isso? Estou lendo ‘As brumas de Avalon’, uma coleção de 4 volumes que conta a história da Bretanha no período antes, durante (e depois) da coração do Rei Artur. Uma das personagens-chave, Morgana, irmã do rei, faz no último volume uma silenciosa, triste, enfática, e até mesmo dolorosa, reflexão sobre sua vida. Ela se pensa morta; revê seu primo; refaz-se viva; e descobre-se velha. Observa que o mundo ao seu redor está mudado, está velho como ela própria. História vai história vem e esse texto ainda não faz sentido, nem é para fazer mesmo, minha cabeça não faz.

Hoje (14/11/2010) fui à missa numa paróquia (de São Pedro Apóstolo) muito longe da minha, parecia uma capela de tão pequena. Estava em obras, o que a fazia ainda menor. Por alguma razão me lembrei das muralhas romanas na região da Bretanha. Essas muralhas são muito mais bem projetadas e construídas que as da china. Essas muralhas mostravam o poder e glória dos Césares, representando a segurança oferecida pelas legiões (nesse mesmo dia encontrei uma querida pessoa que estudou comigo no Ensino Médio).

Mas um dia pararam de fazer manutenção nessas muralhas, ficaram fracas e quando o inimigo veio, bem, ai ele já foi… (ainda hoje se podem ver as estruturas das muralhas, fossos, torres de vigia etc)

A amizade permaneceu, a história presta tributos às belas, o louvor de Morgana é vivo e igrejas são vivas. As muralhas chinesas, por mais que estejam de pé, estão frias e sós. A lembrança gloriosa do Império Romano está se esvaecendo nas brumas (Direito não é vivo, por favor, leitores).

As belas coisas dos antigos impérios se foram, Césares, Augustos, Xerxes, Alexandres, mas suas marcas culturais estão ainda vivas em nossa cultura. Porque cultura é viva. Da mesma forma que as amizades devem ser vivas, que as lembranças devem ser vivas, que laços entre pessoas devem ser vivos, da mesma forma que a Fé é viva.

Esse é mais um texto confuso que faço, só queria deixar a mensagem de viver coisas vivas. Não sejamos como pedras que têm vida, mas não a vivem com vida. Para não cairmos na tentação de gastar nossa vida inteira na construção de gloriosas muralhas e não no empenho de criarmos laços com amigos.

Santa nostalgia (adoro a pronúncia dessa palavra em inglês) que recai sobre mim. Lembranças dos vivos momentos que deixei passar sem vivê-los.

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