Sanduíche de Leandro

Recentemente tenho sido estranhamente abordado por situações estapafúrdicas, minha cara feia não está assustando mais como antigamente.

Antes de narrar a triste decepção que me levou a ser um sanduíche, especificamente meus ouvidos, eu tenho uma consideração a fazer.

Saindo do CEFET/RJ para casa, eu tenho que atravessar uma passarela sobre a Av Maracanã e Radial Oeste para alcançar a estação de trem (to reach the train station, essa ficaria muito melhor em inglês). Escuto um camelô se lamentando “puxa vida, sempre trago sombrinha para vender, mas nesse calor trouxe picolé. Logo hoje chove e não trouxe um chapéu sequer” (modifiquei algumas conjugações e concordâncias na frase).

A consideração é que eu acho que ninguém mais nesse mundo além de mim e do camelô usa as palavras sombrinha ou chapéu como sinônimos de guarda-chuva. Se forem pesquisar a origem desta palavra, verão que sombrinha é a mais indicada (dica, no inglês é umbrella, que em latim significa pequena sombra). Vamos ao sanduíche-iche-iche.

Quando eu reachei a estação de trem, embarquei no trem e sentei num banco do trem, sobrou um lugar ao meu lado, sobre o qual sentou uma senhora que estava acompanhada da filha, que ficou em pé a sua frente. Tão logo o trem começou a andar (trem anda?) eu peguei meu livro e elas começaram a conversar, mau sinal, detesto conversas de trem/ônibus/metrô/avião/barco/patinete.

Elas começaram a falar sobre comida francesa (sic), qual seria a mais indicada para a Ceia de Natal e sobre os preparativos da festa. Pelo visto mãe e filha deviam trabalhar em um restaurante, pois comentaram sobre um chefe auxiliar. Nesse momento tive de olhá-las para analisar. Quem disse que no trem só tem pobre. Voltei a ler me livro.

Mas você poderia por Agatha Christie e Cecília Meireles para conversar e após um tempo elas começariam a falar coisas de mulheres, em francês, claro. Não foi diferente com elas.

Meus céus!! Como elas falaram!!! A pessoa no meu outro lado levantou e a menina sentou. Elas continuaram a falar, fazendo-me um sanduíche de besteiras, aspargos, fofocas, roupas e viagens. Fui obrigado a parar de ler, estava impossível pensar! Estava louco de vontade de foundi, comer foundi, fique claro.

Após meu desespero ter atingido um máximo local, surge uma mulher na minha frente e fala e fala e fala ao celular, atingi o máximo global. Este que vos escreve estava cercado por matracas sem controle!

Levantei duas estações antes da minha e sai de perto, meu pobre cérebro estava super inchado.

Uma tentativa de fazer um abracadabra

Não gosto de pessoas que falam demais em transporte público sobre comida.

Não gosto de pessoas que falam demais em transporte público.

Não gosto de pessoas que falam demais.

Não gosto de pessoas que falam.

Não gosto de pessoas.

Não gosto.

NÃO!

Espero que nessa festa possam encher suas bocas de aspargo e farofa.

–**

Sei que é deselegante ouvir conversas alheias, mas era pública.

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3 pensamentos sobre “Sanduíche de Leandro

  1. Admito que também não gosto de pessoas que falam pelos cotovelos, seja com outras pessoas, ao telefone, ou sozinhas, em locais públicos ou locais fechados. Por isso uma vez eu estava sentada no metrô e vi que um casal estava aguardando pessoas de ‘desassentarem’. Alguém do meu lado se levantou e menina se sentou. Logo na próxima estação meu outro lado estava vazio e o rapaz se sentou. E então percebi que se olhavam e tentavam trocar palavras. Depois de um tempo o papo fluía e além de fluir, fluía com muitas gírias e era um assunto meio, digo, completamente … vazio. Honestamente eu esperava pelo momento que fossem cruzar as mãos na minha frente. Aí quanto atingi o ‘máximo global’, decidi me oferecer pra trocar de lugar com um deles dois. Aceitaram de bom grado e até um pouco envergonhados, mas serviu pra evitar que eu me tornasse um sanduíche e provavelmente ensiná-los a respeitar o espaço alheio. Esse é o problema das pessoas: são espaçosas! Argh ><

  2. Também tive um problema como esse ontem antes da prova.
    Minha sala de prova, a D314 do CEFET, estava apinhada de alunos do pH, inclusive alguns com quem comecei a falar nas últimas duas semanas. Sentei sob o ventilador, calor desidratante. Eis que duas meninas do terceiro ano sentam perto de mim: uma na minha frente e outra atrás. E começam a falar. Falam sobre a festa de formatura e sobre quais vestidos usarão e sobre com quem vão e sobre quem cantará e sobre o que comerão e sobre como sentirão saudade de fulaninha e como estão felizes por livrarem-se de beltraninha por uns 40 malditos fucking bloody minutos.
    Quase não consegui ler meu Veríssimo pré-prova.
    Mais 10 minutos daquilo eu perguntaria se elas poderiam se calar.

    Sobre o texto, invejo sua capacidade de brincar com a forma como naquele triângulo. Sério.

  3. Pingback: “Dá a licença” | Leandro931

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