Tradição, modernidade e Ave-Maria

O que seria Tradição? Essa pergunta me veio a mente quando eu estava tomando banho e vi brilhar no céu um morteiro em comemoração a vitória do Fluminense.

Tradição seria aquilo que você faz sem perceber ao longo de sua vida ou aquilo que permeia e molda sua vida de acordo com os valores que você aprendeu com seus pais, avós, amigos etc? É um pouco das duas opções (e mais),  mas aquilo que você faz no dia-a-dia convenciou-se a chamar-se de cotidiano.

Fiz uma pesquisa no Twitter com a palavra ‘tradição’, abaixo dois resultados que moldam o quero dizer (exclui os que tinha o hino do time de futebol campeão)

http://twitter.com/#!/marygatelli/status/11573672561086464

A tradição mais viva e visível é, por mais paradoxal que seja, aquela criada por um Cara que viveu há 2000 anos na periferia do Império Romano, que transmitiu seus ensinamentos a outros 12 caras, esses por sua vez passaram a outros, depois a outros e assim chegou até nós. A tradição é a mesma, mas como toda coisa viva adaptou-se a cada lugar onde foi levada.

Justificando a palavra ‘modernidade’ no título, cito um fato que me ocorre algumas vezes com pessoas diferentes. Em plena escola de Engenharia, eu escuto com alguma frequência dizerem nessa semana do ano que ‘dia 8 é dia de ir à missa’. Verdade que alguns não sabem porque ir à igreja, mas vão para bater ponto ao menos uma vez ao ano. Outros vão porque sabem que dia 8 de dezembro é celebrado o dogma da Imaculada Conceição da Virgem Maria, solenidade da Igreja. (Explicito aos perdidos de plantão que se quiserem eleger um só dia para ir a igreja, que seja no Domingo de Páscoa; vá nesses dois dias, ora pois‼).

Dessas situações, descrevo uma, que foi engraçada no momento

Estávamos estudando para a prova final de cálculo, todos nós com nível de desespero máximo, totalmente mergulhados em derivadas, limites e integrais. Havia uma colega que além de cálculo estava fazendo um trabalho de química, ela pergunta a data, respondo que era dia oito e ela volta escrever. Algum tempo depois ela grita estrondosamente, ficamos preocupados pensando que o laptop tivesse travado e ela perdido todo o trabalho ou estivesse recebendo santo, sei lá, mil coisas passaram pela cabeça. Depois ela diz calmamente “Hoje é dia de missa, quase me esqueci porque no domingo passado soube que mudaram o horário das missas na minha paróquia.” Tá né… Juro que na hora foi engraçado, lembro de alguém dizer que ela era católica-não-assumida ou coisa que o valha.

Uma ação não nasce como tradição, torna-se tradição ao longo do tempo. Se for verdadeira, resiste ao secularismo e molda-se conforme a cultura local. Vira moderna!

E por que da Ave-Maria no título do post? Bem, aqui eu apelo para a Radio Tupi do Rio de Janeiro. É sabido que tradicionalmente às 18h é celebrada a hora da Ave-Maria pela cristandade, um pequeno momento de reflexão sobre o dia que passou e a noite que começa. Nessa rádio, às 18h, reza-se a oração da Ave-Maria como é feito desde tempos imemoriais. É bonito porque ele (o locutor) fala coisas emocionantes, toca a versão de Schubert, reza a oração em si. Finalizado, ele começa com sua programação normal: “bandido tem que morrer! A Globo não devia estar filmando para a polícia sentar o aço neles!” O espírito de cristão tem validade?

Senta a pua!

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2 pensamentos sobre “Tradição, modernidade e Ave-Maria

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