GPB 931 – General Purpose Blog

Centro do mapa


A cidade é linda. Em ambas as margens do Elba tem-se um lugar para descansar, apreciar e pensar.

A Europa não está a toa no centro do planisfério. A Alemanha também não está no centro da Europa a toa.

Seja pela cruz ou pela espada, a cultura européia se difundiu pelos quatro cantos do planeta, sem exceções. Seja pelo comércio britânico, a Engenharia alemã, as embarções portuguesas, o luxo francês, a espada espanhola ou pela religião de Roma, cada pedacinho do planeta Terra deve tributos ao Velho Mundo. O Ocidente deve-se inteiramente; o Oriente, também.

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Era um típico final de inverno. Os corvos anunciavam o final do dia. Aos dez minutos para as 18h, os sinos começam a dobrar. Alta e belamente. Suave e profudamente.

Às 18h os sinos dobram com intensidade de sentimentos dobrada. É a hora da Ave-Maria. Os sons vêm das igrejas luteranas, católicas, anglicanas, ortodoxas. Todos os povos prestam homenagem à Mãe de Deus.

Nessa hora um homem olha o relógio e continua andando. Eu tiro a boina por respeito. Os corvos se calam. As crianças gritam e correm alegres pela Hauptstraße. Algo surge de especial no ar. E era algo bom. Eu estou na Europa.

O tapete cor de rosa formado pelas flores, ainda pequenas, contrastava com as árvores desfolhadas. O frio congelante do ar contrastava com o calor que cada homem e mulher tinha.

O lindíssimo visual das praças, das flores, da estátua dourada, da perfeita harmonia do todo e do rio Elba somado ao entorpecente som dos sinos das igrejas me fazia sentir num sonho, estava num lugar etéreo. Contudo, estava na Alemanha.

Desde sempre as terras germânicas me chamavam a atenção pela sua história, por sua grandeza e riqueza. E num repente do destino com as bençãos da Providência aqui estou eu.

Os colegas do Brasil me solicitaram que escrevesse as impressões que estou tendo. Ora pois, é impossível. Como posso falar num simples post as caracteristicas de um país formado por estados quase tão antigos quanto o tempo? Certas coisas não podem ser expressas de forma lata, se grandes mentes não o souberam fazer, não será este modesto blogueiro que o saberá.

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Grata surpresa ao achar, numa das muitas praças, uma Esfera Armilar. Afinal, mesmo o centro do mapa precisa de instrumentos de navegação para ser compreendido e navegado.

Estou numa cidade de Tradição luterana, cujo último rei foi católico e sob o domínio soviético virou atéia. Muito embora a religião não seja assunto maior aqui, o maior emblema da cidade é uma igreja.

Uma capela feita para o bispado católico, vira uma igreja luterana, que é destruida na segunda guerra. Foi restaurada como símbolo de união. Que impressiona qualquer um que a visite. Especialmente se o visitante for à “sala da destruição”: é uma sala no subterrâneo da igreja que não foi restaurada, ficou intocada desde o fim da guerra. Até hoje se veem a cruz de pedra e parte do altar, quebrados. O cheiro é pesado. Cheira a destruição, a poeira, a morte. De uma aflição sem igual.

Ainda outra história triste. Estava saindo da missa e escuto um sino a badalar loucamente. Vou atras dessa igreja, guiado somente pelo som. Veja sua torre imponente, ao chegar dou de cara com um cemitério, ao observar melhor vejo que é uma igreja fantasma, totalmente destruída! Somente seu sino a cantar, como uma sina. Uma lembrança perpétua dos horrores da guera.

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De limpeza e organização impecáveis, os habitantes sentem-se verdadeiros bad boys ao atravessarem com o sinal fechado. É engraçado. E graça não é coisa comum, o maior trocadilho que vi aqui até agora foi CarGo Tram. Engraçado? Nein.

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Europeu dança muito mal.

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A estrutura da universidade é muito boa. Digna de um país que está no centro do mapa.

A organização do sistema alemão de ensino/pesquisa/indústria é muito boa. Digna de um país que além de estar no centro do mapa é a segunda maior economia do Ocidente.

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E não convem falar mais. Esse post ficou parecido com os de temas-livres “Alguns casos I e II“. Para saber mais é só pegar um vôo de 15h, conexão inclusa, para cá.

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Era um típico começo de primavera. Aproximavam-se das doze horas. Um dia frio, como quase todos aqui; um dia bonito, como quase nunca se vê aqui.

Os sinos tocavam novamente para homenagear Maria.

Os sinos sempre tocam nessa cidade, “os sinos dobram acima de qualquer momento humano passageiro“.


Juramento

I

Eu terminei meus estudos básicos – conforme obriga a legislação brasileira – no glorioso Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (comemorado nesse blog), que é uma Instituição cuja história remonta há 100 anos no passado dessa República. A conclusão desse ciclo foi feita solenemente no auditório principal diante de uma multidão de parentes, amigos e (des)conhecidos, também estava presente o Diretor-Geral, o representante legítimo do Estado brasileiro. Naquela noite, eu e demais formandos fizemos um jurameto: aplicar todo conhecimento adquirido para o bem, devolver à Nação cada fração do investimento, respeitar e defender a Constituição brasileira e demais leis, enfim, “elevar o Brasil ao seu justo lugar entre as nações”. Naquele dia, eu empenhei minha palavra, tendo como testemunha todo esse elenco, e pela minha honra devo cumpri-la, apesar dos pesares.

II

Conforme recomenda a Tradição, ao atingir a idade mínima eu entrei para o curso de Crisma. Após o periodo de estudo e preparação, eu estava apto para afirmar perante toda Igreja, que é uma Instituição cuja história remonta há 2000 anos no passado da espécie humana e sempre presente nesse país. Esse rito de confirmação da Fé foi professado solenemente na minha paróquia de origem, completamente cheia, diante de parentes, amigos, (des)conhecidos e do bispo, representante legítimo do Magistério da Santa Igreja Católica. Naquela alegre celebração, eu e demais crismandos fizemos um juramento: nortear todo nosso entendimento para o bem, respeitar, defender e propagar o Evangelho e todo ensinamento da Igreja, enfim, realizar todas as coisas “para a maior Glória de Deus”. Naquele dia, eu empenhei minha palavra, tendo como testemunha todo esse elenco, e pela minha honra devo cumpri-la, apesar dos pesares.

Despedida

Embarco para o país que sempre amei, país cuja história sempre estudei. Vou ao país da cerveja e tenho fígado fraco; ao país tetracampeão e nada sei de futebol; ao país dos brancos e sou moreno; ao país das batatas, mas só gosto delas à francesa.

Com tantas razões para não ir, mas com os favores de Deus, eu irei. Talvez o maior dos medos seja colocar meu sonho à prova da realidade. À prova da fria realidade alemã.

Estando eu numa terra estrangeira, acho dificil manter esse blog face a tantos desafios que se me erguerão. Blog que já sofre com a sazonalidade desse autor. Não o abandonarei (até porque será o mais forte laço com a língua de Machado que terei nos proximos meses), mas sofrerá ainda mais com a sazonalidade. Me desculpem, leitores.

Dizem que o homem busca a redenção na hora da morte. Busquei redimir-me antes de esticar as canelas. Ficar tanto tempo longe poderia ser ruim. Digo, leitores, que é ruim buscar amar todo amor em poucas semanas; abraçar todos os abraços; olhar todos os olhares; pedir perdão por todos os erros. Segurar em todas as mãos. Fiar cada amizade. Enfim, ser um homem melhor.

Cada uma das coisas que citei, sugiro a vós, leitores, que não deixem para a última hora, ora. Nunca se sabe quando você entrará num avião ou irá para Avalon.

Acho que a melhor coisa que as partes podem fazer numa despedida é manter a fidelidade. Semper fidelis. A Igreja sei que será fiel. Espero o mesmo da República e das pessoas. Eu buscarei sê-lo.

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Eu sou uma pessoa muito rica em viagens. Já estive em Istambul, Sarajevo, Osaka. Já estive por quase toda Europa, Estados Unidos, Colombia, Peru. E o mais interessante dessas viagens é que visitei esses lugares em diferentes épocas. Minha cidade, por exemplo, eu visitei quando o Império nasceu e se fortaleceu, quando o Império caiu, quando a República se instaurou, quando se mudou para os planaltos centrais dessa vastíssima Terra de Santa Cruz.

Eu estive junto aos portugueses que aqui desembarcaram e vi cada detalhe dos índios que aqui viviam; comemorei os 500 anos do descobrimento, o centário da independência. Chorei ao mandarem fechar as fábricas dessa colônia lusa, também chorei quandos os Jesuítas foram expulsos.

Todas essas viagens ocorreram num período muito especial de minha vida: minha juventude. Deram-se por livros, desenhos, filmes, estudos. Cada simples figura tornava-se o mais nobre brasão de armas na fertil imaginação da criança, que era muito bem alimentada por desenhos e historinhas. De todo não sou tão despreparado, mas por certo tenho menos coragem que os bravos descobridores de outrora.

Engraçado que, embora tudo esteja já previsto, a sensação é que entrarei numa caravela  buscando comprar cravo&canela nas Índias. Ideia simples e lucrativa, porém dificil de ser cumprida. De um erro, o Brasil foi descoberto e deu certo. E é exatamente assim que começo a erguer os pavilhões que me acompanharão: determinado a dar certo; e se algo der errado, dará ainda mais certo. Se for da vontade do Altíssimo.

Por essas e outras coisas, demos graças a Deus #AMDG

intercâmbio


Eu vivo e respiro tecnologia, de ponta ou elementar. Não objetivo ter esse blog como vitrine de coisas tech.

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Antigamente a internet era discada e você não podia usar serviços que consumissem muita banda por duas razões a) não existia infraestrutura e b) tais serviços, como YouTube, não existiam.

Muito antigamente os rádios eram a válvula, não havia TV por assinatura, as notícias de locais distantes eram apresentadas – com atraso – nos cinemas (sic) ou… pelos rádios de ondas curtas.

Esses “radiozinhos” quando bem construidos e operados podiam fazer serem ouvidas transmissões dos mais distantes rincões desse planeta. Meu pai tinha um.

Dia desses estava vendo um aplicativo na televisão (sic) (sic) (sic) que transmitia milhares de rádios mundo afora. Meu pai estava na sala e disse “É…. Na minha época também podia escutar essas mesmas rádios”.

Radio vs TV vs Web

Radio vs TV vs Web

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Para variar um pouco, discorro sobre a ridícula e extrema ineficiência no uso dos PCs e MACs atuais, um absurdo, senhores. Um abusrudo!

Zilhões de flops para usar MSN, Facebook, Paciência etc…. Já falei sobre a idiotice que é usar fibras ópticas para transmitir Rebecca Black, mesmo nas sexta-feiras.

Temos filmes widescreen, TVs widescreen, projetores widescreen tudo fullHD e em 16:9, mas as apresentações-padrão do PowerPoint continuam sendo em 4:3, outro absurdo.

Com o Win8, será declarado o fim da BIOS (coisa que a Apple já faz há muito tempo). Quem sabe de informática sabe a importância da BIOS. Ela sai e as apresentações chatas recbidas por email continuam em 4:3!! Por quê? Por quê?

Custa mudar o padrão? Custa mudar o hábito? (quem invocar o mito da caverna para tentar justificar a inércia comportamental é feio e bobo)

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Meu processador é um core 2 duo. Eu só uso Intel, acho tecnicamente melhor que AMD, além de ter sido a Intel a fornecedora de meu primeiríssimo chip de silício. Um distantíssimo 386.

Ora veja como é a vida, semestre desses projetei um chip que só soma. Made in Brazil. Brasileiríssimo.

(Os superlativos ficam a cargo de José Dias)

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Buliram muito com o planeta

E o planeta como um cachorro eu vejo

Se ele já não aguenta mais as pulgas

Se livra delas num sacolejo

Tem gente que passa a vida inteira

Travando a inútil luta com os galhos

Sem saber que é lá no tronco

Que está o coringa do baralho


Na quadrilogia de Marion Zimmer sobre o Rei Artur, a Cornualha é representada como lugar onde o mar quebra, o céu é baixo, pesado, triste e frio. Exatamente igual ao céu da zona oeste, que pela primeira vez eu ousei desbravar sozinho.

Sempre tive grandes níveis de maturidade, responsabilidade e independência, porém quando estou com meus pais eu me ‘desligo’ automaticamente para economizar energia, regredir no tempo e ser inteiramente guiado por eles, como na infância. Vou contar-lhes o ocorrido nessa segunda-feira de carnaval (7/3/11) com maiores ou menores graus de detalhamento.

Fui criado num bairro da zona norte tipicamente residencial, maioria portuguesa e tudo o mais que possa derivar disso. Toda minha vida foi vivida no mesmo lugar, na mesma casa.

Quase sempre que venho à Pedra, eu venho de carro, vendo as riquezas da Barra da Tijuca; nas poucas vezes que vim de ônibus estava com meus pais, portanto no modo automático, fazendo comentários pontuais sobre as coisas, quase como um turista. Quando vim sozinho, com plena capacidade de processamento & sistemas de navegação on-line, eu vi um lugar bem diferente.

Isso começou na estação ferroviária do meu provincial bairro, sentido Santa Cruz. Não seria a primeira vez que embarcaria nesse sentido, mas sempre o fiz com objetivo de conhecer as estações (porque eu amo trens), em horário comercial non-rush e com tempo bom. Dessa vez eu desembarcaria numa estação, tinha um objetivo diferente. E resolvi prestar mais atenção na paisagem do que nas estações e na linda mulher sentada a minha frente, confesso que foi difícil tirar o olho dela, pois era de fato muito bonita.

Vencida a tentação, a paisagem fora das janelas do trem mostrou-se bucólica, montanhesca (com nuvens cobrindo o topo) e fria. Não sei se o bucolismo era fruto da pobreza que eu vi ou vice-versa: vastos campos verdes, crianças correndo na linha do trem, montanhas, casas antigas, vacas, cavalos, mais montanhas, mais crianças, casas e fábricas abandonadas, instalações do Exército, fazendas, esgoto sendo jogado em rios que não poderiam ser mais pretos, terrenos cujo quintais eram a própria linha férrea e mais crianças. Tudo isso sob um imenso céu pesado e baixo. Imaginei que o ar lá fora fosse fresco (exceto sobre o rio poluído; as janelas eram fechadas por causa do ar condicionado) e o estado de espírito tão simples quanto possível. Quase como uma viagem pelo interior, não visito pessoalmente essas terras-com-ar-bucólico pois infelizmente são terras onde o Estado não tem muito poder executivo, nem legislativo, nem judiciário, ou seja, é um lugar perigoso.

Chegando a minha estação destino, Campo Grande, vou para o ponto de ônibus esperar uma Kombi que me levará ao destino final. Aqui uma ponderação bem severa: não acho uma boa ideia usar ‘transporte complementar’ por várias razões que não convêm serem discutidas ou publicadas, mas se você vai procurar as linhas de ônibus no Guia4Rodas às 3h do dia anterior, com sono, você não terá muito sucesso e será forçado a usar a única rota que conhece… Mas nem era tão ruim, exceção da porta que precisava ser fortemente batida para fechar e uma janela quebrada.

Eu queria ter fotografado (porque eu amo fotografia), mas tanto no trem quanto no ‘transporte complementar’ eu tinha problemas práticos. Primeiro e comum aos dois modais, a câmera do celular não é muito boa para fotos em movimentos; segundo, eu não levaria uma câmera grande pois… bem, vamos a terceira e última; terceira, deveria ter trago minha compacta, não trouxe porque sou um idiota esquecido.

Descrever o trajeto de trem foi fácil, os adjetivos dizem por si e a brevidade das frases colaboram. Porem o caminho de Kombi não tem como descrever sem ocupar muitas folhas, por isso não narrarei todas as minhas impressões, reações e análises. De trem passei por N bairros, de Kombi passei só por duas grandes áreas da cidade – Campo Grande e Guaratiba –, mas tenho muito mais o que falar desse último caminho. Ah, se tenho!

Várias obras, umas grandes e outras pequenas. Destacava-se a construção de um shopping enormemente grande, um templo ao deus do consumo. O logotipo dele era o mesmo da operadora de refinados shopping centers da zona sul da cidade de São Paulo. Viadutos e túneis que servirão ao corredor de ônibus TransOeste. Muitos ônibus de ar-condicionado e executivos circulavam por lá. Várias casas, casebres e mansões. Vi também muitas palafitas usadas indevidamente; muitas igrejas pentecostais, sempre fechadas ou vazias. É no mínimo curioso ofertar produtos e serviços de luxo – ao menos supérfluos – em locais cuja grande maioria das pessoas é pobre, como se estivessem forçando algo, não sei…

Volto a por minha mão nesse texto depois de muito tempo. Acredito que as obras do shopping já tenham terminado, as obras do BRT seguem em ritmo acelerado. Nesse interim eu assisti Tropa de Elite 2, que simplesmente sistematizou algumas coisas que explicam o porquê de marcas caras, ônibus executivos, interesses de certos&certas, casas bonitas em um lugar com índices de pobreza tão altos. Mas também não pode deixar de se apontar que o consumismo, ambição sem planejamento, busca por status de uma classe média com salário de assalariado levem empresas a oferecem serviços típicos de regiões ricas. Esse ciclo, que se repete em quase toda zona oeste do Rio de Janeiro, é uma mistura perigosa de ilusão, falta de segurança, falsas promessas, esperança nebulosa. Não sei se nossas políticas de segurança pública e de assistência social darão certo. Só acho estranho pessoas usarem o cartão do bolsa família para jantarem nos restaurantes do Morumbi, Jardins, Vila Mariana… Não acho errado, apenas estranho.

Vamos voltar rapidamente aos trens, são mais simpáticos. Certa vez fiz uma excursão à imperial cidade de Petrópolis de… trem. Cortamos a cidade do Rio em direção a Magé. Passamos por paisagens silvestres, a linha de Vila Inhomirim tem muito mais verde que na linha de Santa Cruz, contudo eu poderia fazer quase os mesmos apontamentos. Piui piui.

E por fim cheguei ao destino. Ao descanso. A fuga do barulho do carnaval.

Eu realmente espero que a cidade possa passar por todas as brumas, manter a fé e chegar a Avalon. Merecemos isso.

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Tenho muita vontade de conhecer os promontórios da Cornualha, Inglaterra.

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Poderia tentar escrever sobre a quadrilogia. Essa obra me fez sentir como se tivesse visitado a Bretanha, conversado com seus personagens de forma muito íntima, tomado suas dores e preocupações. Senti-me tentado a trair Arthur. Senti-me tentado a trair Morgana. Senti-me como se amasse Gwenhwyfar. Sinto-me agora órfão daquele mundo. Sinto saudades também dos bons tempos que tinha enquanto eu vivia naquelas brumas e comia as maçãs de Avalon.

Vou pedir ajuda ao Merlin…


Um simples prazer vulgar, vulgar usado no sentido de ordinário, ordinário usado no sentido de comum. Comum é cotidiano.

Cotidiano significa coisas do dia-a-dia, e cada ser humano tem um cotidiano diferente. São únicos, nunca se repetem e não há o risco de o cotidiano de um homem ser o cotidiano de outro homem noutro dia. Nunca.

(PS fora de lugar: Eu tenho dois cotidianos, a saber, o meu normal, explicado acima e um álbum de fotografias virtual)

O melhor filme do mundo para mim começa assim, a descrição de cenas do cotidiano sob a visão da protagonista. Enfiar a mão no saco de grãos, observar taças na mesa, quebrar coberturas de doces, falar em voz alta os preços do açougue etc. O que para mim pode ser idiota, para outrem pode ser o gozo dos gozos, ao menos naquele momento. Perde-se tempo demais buscando satisfazer os outros ou incomadá-los em seus prazeres ordinários. Nem uma coisa nem outra pode/deve ser feita, nem ajudar nem bisbilhotar: por excelência essa degustação é individual, seja sua produção seja seu consumo.

A motivação de escrever esse texto? Bem, #TODOSSABE que sou a favor do máximo respeito ao passado, a Tradição. Gosto de tecnologia; gosto tanto que não faço corte&costura; amo tecnologia. Contudo detesto aquelas que destruam o passado e seus vestígios. Tudo deve ser criado pensando no bem, comum ou individual.

Quando menor, meu inglês era mais deficitário (não que hoje eu seja C2) , tinha menos recursos, menos interações e/ou iterações sociais et cetera. Daquela época eu conservo um “hábito”, sempre que gostava de uma música (essencialmente a melodia, uma vez que não sabia inglês ou francês) guardava a canção tão seguramente quanto possível e a procurava até achar. Era uma tarefa difícil, árdua. E muito satisfatória ao final.

Hoje é mais fácil. Muito mais. Pego um pedaço da letra e jogo no Bing. Ou pergunto algum colega. Ou simplesmente saco meu telefone, que ‘escuta’ a música e rapidamente me dá todas as informações e ainda pergunta se quero comprá-la.

Simples? Simplíssimo veritas est.

Inverno

Nossos momentos são tão frágeis como as folhas das árvores; tudo muda ao sabor do vento e das estações.

Mas para onde foi o sabor da vitória de passar longos dias ou meses na busca da música? Foi para recycle bin. Somente eu sabia a sensação de vitória ao encontrar a resposta. Para você, estimado leitor, pode ser idiota mas não o é para mim. Conheci um ser humano que ficava bestificado ao ver vasos comunicantes, princípio para mim totalmente básico e inexpressivo. Se lembra do papo de “cada um tem seu saco de grãos para enfiar a mão”?

O ser humano gosta de, e precisa também, ser um bicho coletivo. Numa mesa de bar ou no estádio de futebol a massa se sente feliz, gosta de sentir o próximo. O povo brasileiro então nem se fala, sobretudo nesses tempos de Carnaval… E é igualmente indiscutível que nós também gostamos, e precisamos, de nossos momentos solitários.

Como esse post, essa vitória é sem sentido é simples é passageira é etérea é pessoal. Não há de se comparar com quando Júlio César marchou sobre Roma…

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Smiles. Essa é a música que me levou a escrever às 2h do dia 30/12/2011 o presente texto. É uma canção da britânica Lily Allen (quem é ela?!) que por si só me isentaria de entender a letra (ligeira aula de inglês da Rainha, lição única: substitua o ‘a’ o ‘u’ e o ‘e’ pelo ‘a’) que passou num intervalo do VH1.

É o gozo inoportuno do momento importuno!

Quando eu morri


Esse texto EM NENHUMA CONDIÇÃO representa qualquer verdade crida e confessada pela Igreja Católica em NENHUM DE SEUS DOCUMENTOS. TRATA-SE SOMENTE DE FRUTO DA CRIATIVIDADE DO AUTOR, QUE NÃO ALEGA NENHUM DOM ESPIRITUTAL SOBRE ESSE TEXTO. De forma que se buscou não ultrapassar em nenhum momento as fronteiras da heresia ou qualquer outra coisa que possa ser danosa a Fé cristã. Tampouco exemplifica qualquer visão post mortem crida pelo autor, que confessa as verdades do cristianismo.

AMDG

Quando eu morri, fui levado por meu anjo da guarda a um lugar infinitamente grande, onde o céu e terra pareciam ser um só, da mesma cor, branco. A única coisa que se destacava era uma luz que parecia estar longe, muito longe. Eu já havia sentido a mesma coisa em algum momento da minha vida que não me lembro exatamente qual.

Não demora muito chega Santa Isabel, Rainha de Portugal. O anjo entrega para ela uma folha; falando o que estava escrevendo “sempre trabalhou na igreja a mim dedicada, suas preces se voltavam para mim quando algum problema o atormentava e desejava que fosse transformado em flores. Fui testemunha da alegria da celebração dos sacramentos e da tristeza da penitência. Houve, contudo, algumas vezes que suas funções eram salpicadas com um resíduo de má vontade”. Indicou-me o caminho a seguir; enquanto andávamos em direção a luz, falava sobre como foi deixar a riqueza do castelo para viver num convento. E também ia me apresentando seus amigos. Nossos amigos.

O primeiro a ser cumprimentado foi São Sebastião. Sta Isabel entregou a ele a folha, onde escreveu “embora houvesse uma igreja a mim dedicada próxima a sua residência, frequentava uma igreja mais longe – sem nenhum problema a sua piedade – ao contrário, ficava feliz ao ver uma pessoa encontrar sua casa. Não deixava de cumprir os preceitos nos dias e solenidades a mim festejados”. Devolveu a folha e colocamo-nos a andar novamente.

Mais a frente encontramos São Francisco Xavier, na folha ele escreveu “Lembro-me de como achava a minha paróquia suntuosa, demorou para perceber que a verdadeira beleza da casa de Deus é a mesma da mais rica basílica a mais simples capela. Pedia minha ajuda nos estudos, cumprindo nas Santas Missas as promessas que fizera para conseguir seus diplomas no CEFET. Eu nunca entendi, nem ele, a piedade que tinha por mim”. Nesse momento eu pensei que nunca havia realmente entendi o que significa Piedade. O anjo riu para mim.

Em nosso encontro veio Santo Inácio de Loyola, “sempre teve atração pela Companhia de Jesus, suas tradições, seus métodos e exercícios espirituais. Minha história quis ter por sua, até aprender que cada um tem sua história, cada um tem sua piedade, como é dito na Oração Eucarística da missa ‘a fé que só o Senhor conhece”.

São Judas Tadeu veio até nós “corroboro nos pedidos de estudo. Sempre pedia disposição para estudar, mas deixava todos os estudos  para última hora; graças que tinha boa memória”.

Parei um pouco para observar ao redor. A luz que outrora parecia noutro planeta, um simples ponto de estrela, agora estava mais forte. Sinal que estávamos chegando perto.

Logo em seguida vimos São José, São Joaquim e Santa Ana. Conversamos sobre família, amizades, planos idealizados e jamais cumpridos, perseverança. Por fim escreveram “ele buscou honrar pai e mãe, devolver aquilo que eles haviam lhe dado e confiado. Custou a aprender que a devolução era consequência do amor mútuo, e não precisava de bens materiais para isso”.

Caminhamos mais algum tempo, na verdade a palavra tempo não faz muito sentido pois não havia nada que pudesse ser referenciado como zero segundo.

Por fim chegamos a luz. Era na verdade um farol, com uma chama acessa eternamente. Que apontava o caminho correto para o que veria um tantinho mais a frente.

Erguiam-se frente aos meus olhos uma muralha imponente, que era capaz de tocar o céu. Era firme, dava total segurança a seus habitantes. Busquei algum brasão que pudesse identificá-la, e mesmo que o tivesse achado meus conhecimentos em heráldica nunca foram muito bons.

Na portaria da parede estava São Pedro. Não havia chaves, de fato nem sequer havia portões. Explicou-me que a Palavra do Senhor que sustenta Céu e Terra também sustenta a ordem das coisas. Falamos sobre a dificuldade de viver entre os mesmos, sobre traição e lealdade, sobre poder e autoridade. “A cada Ave-Maria e Pai-Nosso que você fazia subir a mim pedindo proteção ao papa e a Igreja eu fazia descer outros 50 para você, afinal Deus não precisa me dar forças para defender ou propagar o Evangelho, você precisava. A Igreja militante precisa”.

Do outro lado do portão havia um crucifixo, perguntei o porquê, “é para lembrar aqueles que passam por esta porta que o convite já foi pago, a presença da estola na cruz indica que aqui sempre temos a alegria da Páscoa de Cristo”.

Caminhamos para uma sala no lado externo da muralha, onde não demora a entrar São Miguel. Sta Isabel entrega-lhe a folha e sai da sala, dizendo que estará rezando por mim pela última vez. O arcanjo escreve “sempre disposto a batalha, com respeito a hierarquia das ordens se esforçou a ser bom soldado da milícia cristã, e como todo soldado teve medo em algumas batalhas”.

Por fim, entra na sala Maria Santíssima. Levanto-me. Quase num impulso abraço minha mãe; e me pergunto mentalmente porque eu agi no jardim do Céu como se conhecesse todos os santos como amigos íntimos, como se os visse todos os dias.

Ela olha a folha serenamente e com uma calma sem igual diz “não tenho nada mais a acrescentar, suas orações a todos os santos você também dirigia a mim, e todas escutei e por todas pedi que a Providência fizesse o que fosse melhor para você; quando o medo apertava e você se sentia longe de meu Filho, me chamava para por-lhe novamente em um lugar digno. Sei que tentou em sua vida, com esforço, dificuldade, medo, erros e acertos, fraqueza, problemas e tudo mais, fazer ser verdadeira a frase que eu falei a meu Filho há tanto tempo ‘fazei tudo que Ele mandar’. Sua alegria nas festas em minha homenagem era legítima, sabia de sua ansiedade e felicidade a cada oito de dezembro, bem como no quatro de julho, que você dizia ser as ‘santas queridas do meu coração’. Não tenho mais o que escrever aqui”.

Fecha a folha num envelope timbrado com doze estrelas e lacra-o. Entrega a São Miguel, que some – agora há somente o Cordeiro por mim.

Maria sai pela porta e pergunto “Senhora, onde está indo?”.

“Estarei rezando por você. Pela última vez”.

Omnes Sancti et Sanctæ Dei. Orate pro nobis.

A morte perpetua. Libera nos, Domine.

Peccatóres. Te rogamus, audi nos.

Agnus Dei, qui tollis peccáta mundi. Exáudi nos, Dómine.

Agnus Dei, qui tollis peccáta mundi. Miserére nobis.

Agnus Dei, qui tollis peccáta mundi. Christe, exáudi nos.

Nego


Nego põe uma máscara de Guy Fawkes e acha que é revolucionário.

Nego põe meia dúzia de palavras mal escolhidas numa folha e acha que é poeta.

Nego critica música sertenaja e acha que é intelectual.

Nego tem um blog e acha que é intelectual.

Nego não conhece autocritica; só alto critica os outros.

Nego pinta no Paint e se acha gênio do fotoshopis.

Nego acha índio injustiçado e critica.

Nego acha nordestino errado e xinga no Twitter.

Nego tem voz mas não fica calado.

Nego tem inteligência mas não fica calado.

Nego não tem porque ladrar mas não fica calado.

Nego é chamado de nego e chama a polícia.

Nego chama outrem de nego e não chama a polícia.

Nego acha que dinheiro é mais universal que passaporte.

Nego escreve nêgo e se acha injustiçado por não ser indicado a presidência da ABL.

Nego que é negro; banco que é branco. Qual problema com o R?

Nego não escreve palavrão mas vive numa orgia.

Nego acende incenso, vai à missa, se vira a oeste 5x ao dia e bate testa no muro. Faz tudo isso durante o domingo, durante a semana esquece isso. Deixa disso.

Nego que é nego sempre será nego. E sempre exaltará sua neguitude.

Neguitude é uma generalidade horrenda. Perda da identidade, forçar ser um qualquer para realizar, em momentos quaisquer, uma atividade qualquer.

Nego é nem

Nego é ninguem

Nego, com todo respeito, explore seus retículos anais com profundidade.

Na linguagem popular, nego é

f%da


Que momento mágico esse! Poucas pessoas nesse auditório sabem o que estamos sentindo… Desde que entramos sabíamos desse momento, mas é como se não acreditássemos, como se achássemos que nunca chegaria.
O momento em que tudo pelo que sofremos, choramos, estudamos, ganha um sentido, uma razão de ser. O momento que parece ser o final, mas que na realidade é só o começo… Quando espertos veteranos da escola tornam-se imaturos calouros do que os espera fora dela!
E o fim chegou, da escola, não de nossas amizades. Com certeza nunca nos esqueceremos do CEFET e dos laços de amor e amizade que fizemos. E fica o desejo de que o CEFET nunca se esqueça de nós e dos momentos que aqui vivemos.

Começo dizendo que não acharia justo intitular esse post de CEFET/RJ. Para tal, eu teria que olhar para trás e ver as pegadas dos últimos seis anos da minha vida. Mas são também esses seis anos que trazem justificativa para esse título. Passaram-se seis anos desde 2006, ano de ingresso nesse nível escolar. Pela lei, nós temos como limite máximo de tempo para concluir o dobro do período regular, ou seja, seis. De forma que as turmas que estão se formando agora seriam as últimas turmas nas quais alguém que entrou comigo na casa do Tio Celso poderia sair.

O trecho citado acima foi a conclusão do discurso da minha turma, 3EMED, na colação de grau em 2008. Nesse interim, 2006 a 2008, eu teria tanta coisa para contar mas tanta coisa que nunca conseguiria fazer esse texto chegar em 2008. Na verdade nem eu nem ninguém que um dia tenha tido a honra de ser um manga-azul.

Nesse ponto do texto eu fico com a dúvida do que escrever. Sobre as pessoas, sobre a Instituição, sobre o meu desenvolvimento como pessoa, sobre a qualidade da formação acadêmica, sobre os sonhos ou até mesmo sobre mim. Não vejo como, nem porquê, separar esses assuntos. Aconteciam de forma tão intensa, tão intrínseca, tão extensiva que vejo essa lembrança como uma poderosa bruma, que me envolve e me joga num passado feliz. Quando (re)entrei no CEFET como aluno de graduação eu nutri a esperança de que pudesse manter a gloriosa áurea de outrora. Grande decepção, mas isso é assunto para outra data.

As pessoas eram diferentes, a vida, a vivência, os objetivos, o nível de conhecimento … Foi muito triste ver cada canto daquele lugar onde vivi momentos alegres e felizes ser simplesmente um canto. Até eu me acostumar com essa nova visão do CEFET eu sofri bastante, sofria pela saudade – ainda hoje tenho umas recaídas confesso. Ver nos posteres as fotos de pessoas que eu conheci e vivi sempre me causa uma nostalgia, as vezes fortes as vezes fracas, afinal eu as conhecia pelo nome! Hoje são apenas esmeros de lembrança.

Agora eu sou mais forte, o CEFET me ensinou a ser forte, não sinto mais saudade que doi no peito. Eu sinto orgulho! Orgulho de cada momento, de cada coisa, do curso técnico, do uniforme! Acho que novamente eu posso falar por todos os mangas-azul, nós sentimos orgulho!

Nós celebramos triunfantes as derrotas da turma, as vitórias limitavam-se a churrascos, sobretudo no 3º ano. Cada turma a seu jeito, cada aluno a seu jeito, mas todos sempre com ar majestoso.

No primeiro ano eu era o típico nerd, notas boas, cara de criança, não dividia meu biscoito, isolado. Lembro com muitos detalhes algumas coisas, outras são só registros para formalidade.

Turma 1EMED.2006

Turma 1EMED.2006

No segundo ano. O Leandro morreu. Foi enterrado e jogaram cal por cima. Nesse ano eu vivi coisas tão intensas, passei por tantas transformações que não me lembro de quase nada. Deu overflow no meu cérebro. Relembro a matéria do técnico, uma apresentação assistida no SESC da Tijuca, fugas ao CCBB, problemas com pessoas novas que entraram na minha turma etc etc. Coisas bem pontuais. E isso tem uma justifica bem simples e óbvia: intimidade. Não éramos mais calouros amedrontados, já havíamos vivido um ano juntos, formamos um unidade tão boa que daria inveja ao Cesares! Subgrupos se formaram, deixando a falange ainda mais poderosa. No lugar do finado senhor Santos, nascia uma pessoa um pouco menos chata: o Leo. Engraçado que nessa altura, quase ninguém mais tinha nome. Só apelidos.

No terceiro ano. Somos estremecidos pelo ranger dos sinos do tempo. Está acabando. Mais um pouco, acabou.

Turma 3EMED.2008

Turma 3EMED.2008

Ao final das contas não sei mais o que escrever. Professores? Amigos? Amores? Desilusões? Sonhos? Conhecimento? Todos esses temas superam a capacidade desse que vos escreve em muitas unidades, além mais, leitores, uma lágrima sorrateira cai de meu olhos ao mesmo tempo que um sorriso se forma em minha boca. Nada mais me resta senão agradecer.

Para finalizar essa tentativa fracassada de expor os meus sentimentos e vivência naquele Centro, republico um texto de 2008 que postei no Orkut:

A idéia não é fazer um texto longo, é fazer um balanço sobre os três anos de CEFET/RJ, três anos vivendo com vocês. Talvez alguns não se lembrem, mas tudo começou naquele 6 de março de 2006, um dia que mudou minha vida pela inserção de várias pessoas, histórias e situações até então inimagináveis. Como não pode ser um texto longo resumo: o saldo foi positivo, tornou-se mais valorizado por ser inesperado, tornou-se absoluto por não ter comparação. Cada qual tomará a si o dia que mais viveu, a pessoa que mais conviveu, o momento que mais sofreu, a loucura que mais divertiu. Mas sempre este estará relacionado ao glorioso Centro de Excelência Tecnológica. Mas é chegado o fim; nosso descanso de tanto estudo agiganta-se a nossa frente e junto com ele a saudade que sentiremos de tudo. Infelizmente não há como separar este joio do trigo, mas somos a dita elite desse país, juntos saberemos como fazê-lo! Brindemos agora nosso descanso, nossas conquistas; brindemos acima de tudo nossas amizades que mesmo com esse brinde de fim de ano tornar-se-ão mais fortes. Brindemos nossa existência, a existência do próximo, a existência da dor e do sofrimento. Brindemos a nossa augusta capacidade de superar TUDO, afinal, nós somos mangas-azuis. Brindemos, pois, o fim.

Por essas e outra coisas, demos graças a Deus #AMDG

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Esse post não é só meu. É de todos aqueles que comigo estudaram no melhor colégio técnico da República. Por isso não peço comentários, peço histórias. Histórias que só um manga-azul pode ter vivido.

Quem eu amo


Pensar em dias sem ela não me faz mais sentido. Acordar pela manhã e sentir sua falta doi, e a dor piora dia após dia. A barba cresce, preguiça de fazer tudo. Minha aparência é típica de uma pessoa que perdeu na vida tudo aquilo que tinha.

Não sei como eu vivia sem ela! Desde pequenos nós nos conhecíamos, mas nunca tivemos nenhuma relação. Até que eu cresci, virei homem e vi que minha vida dependia dela. Só dela. Declarei-me e hoje ela ocupa lugar de grande dignidade em minha história.

Sobre esse amor eu poderia escrever mais poemas, poesias e prosa que toda obra de Homero, Asimov e Camões. Não costumo criar hipérboles tão estranhas, mas é a mais pura verdade, leitores.

Todo homem sabe quando encontra seu amor para toda a vida. Nós homens temos nossos encontros e desencontros, um caso ali outro aqui, um quente outro frio, um lancinante, um cortante. As vezes a dor da perda faz correr sangue. Mas ela curou-me de todo derramar de sangue, de todas as minhas manhãs frias onde a indisposição me dominava.

Ela deu novo sentido ao ‘eu te amo’.

Ela precede todos os grandes momentos da minha vida social e acadêmica. Momentos onde devo estar com boa aparência, saber que há alguém que fez algo por mim a custa de nada senão o mais puro e sincero amor. Quase uma servidão a mim. Bendita seja.

Esse estilo de escrever não é o meu padrão, mas quando penso nela eu fico louco!

Por isso eu digo do fundo do meu coração

 

 

 

 

Eu te amo, máquina de barbear.


Pessoas do Ocidente que buscam por um novo mundo, sabem do que é necessário mas ignoram o caminho mais confiável para o “novo mundo”. Querem bom caráter, responsabilidade etc mas ignoram os lugares mais prováveis de se encontrar isso.

 Essas mesmas pessoas trazem em si um secularismo perigosíssimo, tomam para si um forte sentimento anti-passado. Deste resulta um forte sentimento antireligião, sentimento contra a história, contra as condições que moldaram nossas nações. Porém essas mesmas pessoas, seres humanos de todos os gêneros, raças e religiões, trazem em si algo que nenhuma propaganda pode apagar ou modificar: a esperança sincera.

Esperança que provoca um respeito sincero quando os sinos dobram, anunciando algo vindouro. Respeito que gera silencio. E silêncio é item raríssimo hoje. E é somente no silêncio que podemos encontrar nosso verdadeiro eu. Os sinos falam diretamente ao interior do homem, por isso atingem o único lugar onde o Capital não tem agência nem escritório.

Os sinos dobram quando há tristeza, quando há alegria, quando há silencio. Isso é o importante: os sinos dobram acima de qualquer sentimento humano passageiro.

Os sinos dobram quando o momento é ordinário, apenas para anunciar as horas, quando começa um serviço litúrgico, quando um rei é coroado, quando o momento é extraordinário. Isso é o importante: os sinos dobram acima de qualquer momento humano passageiro.

Uma cena que guardo foi vivida certa vez na Catedral Metropolitana do Rio de Janeiro: estava eu olhando para os incríveis vitrais que convergem em cima do altar quando entra um homem. Era fácil notar que ele era rico, muito rico, pela postura, pelo excelente corte de seu terno. Talvez trabalhasse ali mesmo, no coração financeiro do Rio. Ele, de forma muito discreta, fez o sinal da cruz e muito acanhado saiu do corredor principal para ficar uns minutinhos olhando para a cruz do altar e ao sair fez uma sutil inclinação com a cabeça. Cena parecida eu vi no Mosteiro de São Bento, no centro de São Paulo. O grande ponto para mim é o porquê as pessoas tem vergonha, medo ou receio de admitir que precisam de momentos em silêncio, de introspecção, de Deus.

Altas torres, paredes firmes, refúgio seguro. E um sino a badalar.

Altas torres, paredes firmes, refúgio seguro. E um sino a badalar.

Alegres fitas nas firmes paredes de pedra de uma igreja no Centro do Rio - e seu sino presente.

Os sinos agem sob essas pessoas como um constrangedor apontamento do silêncio que elas negam. Contraditório a princípio, mas o barulho dos sinos busca levá-las ao silêncio.

O sino, que nasceu para marcar o tempo, perdeu essa função para os impiedosos relógios, que pregam não só o tempo mas nos pregam também. Acredito que os sinos sirvam hoje para marcar um sentimento, para fazer um convite. Sino significa sinal. Sua presença é testemunha da história de determinado lugar, impassível porém cantante e constante.

Eram dados como presentes pelos imperadores, neles eram escritas mensagens, eram abençoados para que pudessem anunciar a res sacrae.

O uso dos sinos é muito mais antigo que religião cristã, budistas já o usavam para quase as mesmas coisas. E hoje, seus campanários sofrem da mesma asfixia a qual os nossos estão submetidos. É triste ver que a agitação cotidiana está sufocando os badalos. Sufocando os badalos de sinos de todas as religiões.

E por fim, retorno ao ponto do post.  Lembrai-vos do tempo, do silêncio, do relacionamento. Lembrai-vos de vós.

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E o que São Pedro tem haver?

É em honra a ele que é erguida a maior igreja do mundo, a Basílica de São Pedro no Vaticano. Sempre que os sinos de lá dobram todo mundo para para saber o que houve (saudade dos acentos) – alguém canonizado, algum decreto novo, um papa novo. É o poder mais feio do mundo que entra na piazza di San Pietro: a fofoca.

Afinal, o papa é pop.